Quarta-feira, Julho 01, 2009
Um brasileiro no mundo
O Brasil tem a (má) fama de país sem memória. Mas algumas histórias o cinema ajuda a se tornarem inesquecíveis. É o caso do assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, em 2005. A história chega às telas hoje, no filme Jean Charles, dirigido por Henrique Goldman e estrelado por Selton Mello.
Sem rodeios e indo direto ao ponto, Goldman aborda a vida de Jean Charles pouco antes de sua morte. O roteiro enxuto de Marcelo Starobinas começa com a chegada da prima de Jean (Selton), Vivian (Vanessa Giácomo), a Londres. Eles, assim como outros dois primos – Alex (Luis Miranda) e Patrícia (Patrícia Armani, que interpreta seu próprio papel) – saíram de Gonzaga, interior de Minas Gerais, na esperança de conseguir uma vida melhor na capital da Inglaterra. Os quatro dividem um minúsculo apartamento e vivem numa espécie de ‘gueto’ brasileiro em Londres – todo mundo se conhece e todos – quase sempre – se ajudam.
Como milhares de brasileiros que emigram para a Europa e os Estados Unidos em busca de melhores condições econômicas, Jean Charles partiu para Londres em 2002. Na cidade ele trabalha como eletricista, e como bom brasileiro, se mete em confusões mas sempre dá um jeitinho de se sair bem da situação. E esta é a história do longa.
A cena do trágico incidente no metrô – Jean foi confundido pela polícia com um dos extremistas islâmicos que teriam planejado um ataque frustrado ao sistema de transportes da capital britânica em 21 de julho de 2005. No dia seguinte, ele foi seguido ao sair do apartamento em que morava e, ao entrar na estação Stockwell, foi morto por um grupo especial da polícia londrina – é rápida e sem grande alarde. Até hoje o inquérito policial está aberto e o filme não tira conclusões precipitadas.
Jean Charles conta, de forma simples e objetiva, a vida de um brasileiro, como tantos outros, que apenas queria um futuro melhor. Não esperem uma versão da morte do rapaz, nem cenas politizadas. O filme não levanta bandeiras, tem momentos divertidos e emocionantes, mas nada exagerado, e um dos seus trunfos é contar com pessoas que viveram ao lado do personagem real, todos interpretando a si mesmos. E, no final das contas, consegue cumprir seu objetivo: falar sobre a vida, e não sobre a morte do brasileiro.
Janaina Pereira
O Brasil tem a (má) fama de país sem memória. Mas algumas histórias o cinema ajuda a se tornarem inesquecíveis. É o caso do assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, em 2005. A história chega às telas hoje, no filme Jean Charles, dirigido por Henrique Goldman e estrelado por Selton Mello.
Sem rodeios e indo direto ao ponto, Goldman aborda a vida de Jean Charles pouco antes de sua morte. O roteiro enxuto de Marcelo Starobinas começa com a chegada da prima de Jean (Selton), Vivian (Vanessa Giácomo), a Londres. Eles, assim como outros dois primos – Alex (Luis Miranda) e Patrícia (Patrícia Armani, que interpreta seu próprio papel) – saíram de Gonzaga, interior de Minas Gerais, na esperança de conseguir uma vida melhor na capital da Inglaterra. Os quatro dividem um minúsculo apartamento e vivem numa espécie de ‘gueto’ brasileiro em Londres – todo mundo se conhece e todos – quase sempre – se ajudam.
Como milhares de brasileiros que emigram para a Europa e os Estados Unidos em busca de melhores condições econômicas, Jean Charles partiu para Londres em 2002. Na cidade ele trabalha como eletricista, e como bom brasileiro, se mete em confusões mas sempre dá um jeitinho de se sair bem da situação. E esta é a história do longa.
A cena do trágico incidente no metrô – Jean foi confundido pela polícia com um dos extremistas islâmicos que teriam planejado um ataque frustrado ao sistema de transportes da capital britânica em 21 de julho de 2005. No dia seguinte, ele foi seguido ao sair do apartamento em que morava e, ao entrar na estação Stockwell, foi morto por um grupo especial da polícia londrina – é rápida e sem grande alarde. Até hoje o inquérito policial está aberto e o filme não tira conclusões precipitadas.
Jean Charles conta, de forma simples e objetiva, a vida de um brasileiro, como tantos outros, que apenas queria um futuro melhor. Não esperem uma versão da morte do rapaz, nem cenas politizadas. O filme não levanta bandeiras, tem momentos divertidos e emocionantes, mas nada exagerado, e um dos seus trunfos é contar com pessoas que viveram ao lado do personagem real, todos interpretando a si mesmos. E, no final das contas, consegue cumprir seu objetivo: falar sobre a vida, e não sobre a morte do brasileiro.
Janaina Pereira
Segunda-feira, Junho 29, 2009
Holofotes na violência
Você sabe quem foi Jacques Mesrine? Bandido violento, e dos mais ousados, ele provocou pânico, mas também gerou admiração em seu país de origem – a França - ao longo de duas décadas de crimes. Assaltos e fugas espetaculares, somados a entrevistas cheias de pose, fizeram dele uma lenda da história policial francesa. Isso é tudo que você precisa saber para assistir a Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte, que estreia na sexta, dia 3.
O longa é a primeira parte de um ambicioso projeto do diretor Jean-François Richet (Assalto à 13ª DP), encabeçado pelo ator Vincent Cassel (Senhores do Crime). Com orçamento estimado em US$ 80 milhões e filmagens que se estenderam por nove meses (com as duas partes sendo filmadas simultaneamente), o projeto foi um sucesso de bilheteria na França. No Brasil, não deve – e não pode – passar desapercebido: o filme é, no mínimo, surpreendente, palavra que também define a insana figura de Mesrine.
A narrativa começa com a fuga de um casal, que acaba sendo encurralado em uma emboscada. Não sabemos o ano em que isso acontece, e na seqüência começamos a conhecer um pouco da vida de Mesrine, nos anos 1960. De volta da Guerra da Argélia, onde recebeu um certificado de bom comportamento, Jacques Mesrine (Cassel) leva uma vida comum, mas aos poucos é atraído pelo mundo do crime. Mesmo se casando e construindo uma família, acaba se envolvendo em assaltos e exercitando seu lado violento ao extremo. Trabalhando para Guido (Gerard Depardieu, irreconhecível), começa a alcançar fama entre os ladrões da época.
Mas suas atitudes obscuras ganham mesmo notoriedade ao se aliar a Jeanne Schneider (Cécile De France), com quem realiza diversos atos criminosos. A partir daí, passa a ser conhecido como ‘o inimigo público número 1’ dos franceses. Sua vida cheia de aventuras, seus assaltos mirabolantes e sua arrogância rendem um roteiro enxuto, repleto de cenas de ação e excelentes diálogos, tudo feito sob medida para Vicent Cassel brilhar.
O filme termina chamando a atenção que haverá uma continuação – afinal, o início da história, a tal emboscada, não é explicada, mas se você se aprofundar na vida de Mesrine saberá que o começo do longa é o fim da sua carreira de criminoso. Porém, pouco importa sua morte: a vida dele foi tão intensa que vale cada minuto de Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte. O crime não compensa, mas rende uma história e tanto. Que venha logo a segunda parte.
Janaina Pereira
Você sabe quem foi Jacques Mesrine? Bandido violento, e dos mais ousados, ele provocou pânico, mas também gerou admiração em seu país de origem – a França - ao longo de duas décadas de crimes. Assaltos e fugas espetaculares, somados a entrevistas cheias de pose, fizeram dele uma lenda da história policial francesa. Isso é tudo que você precisa saber para assistir a Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte, que estreia na sexta, dia 3.
O longa é a primeira parte de um ambicioso projeto do diretor Jean-François Richet (Assalto à 13ª DP), encabeçado pelo ator Vincent Cassel (Senhores do Crime). Com orçamento estimado em US$ 80 milhões e filmagens que se estenderam por nove meses (com as duas partes sendo filmadas simultaneamente), o projeto foi um sucesso de bilheteria na França. No Brasil, não deve – e não pode – passar desapercebido: o filme é, no mínimo, surpreendente, palavra que também define a insana figura de Mesrine.
A narrativa começa com a fuga de um casal, que acaba sendo encurralado em uma emboscada. Não sabemos o ano em que isso acontece, e na seqüência começamos a conhecer um pouco da vida de Mesrine, nos anos 1960. De volta da Guerra da Argélia, onde recebeu um certificado de bom comportamento, Jacques Mesrine (Cassel) leva uma vida comum, mas aos poucos é atraído pelo mundo do crime. Mesmo se casando e construindo uma família, acaba se envolvendo em assaltos e exercitando seu lado violento ao extremo. Trabalhando para Guido (Gerard Depardieu, irreconhecível), começa a alcançar fama entre os ladrões da época.
Mas suas atitudes obscuras ganham mesmo notoriedade ao se aliar a Jeanne Schneider (Cécile De France), com quem realiza diversos atos criminosos. A partir daí, passa a ser conhecido como ‘o inimigo público número 1’ dos franceses. Sua vida cheia de aventuras, seus assaltos mirabolantes e sua arrogância rendem um roteiro enxuto, repleto de cenas de ação e excelentes diálogos, tudo feito sob medida para Vicent Cassel brilhar.
O filme termina chamando a atenção que haverá uma continuação – afinal, o início da história, a tal emboscada, não é explicada, mas se você se aprofundar na vida de Mesrine saberá que o começo do longa é o fim da sua carreira de criminoso. Porém, pouco importa sua morte: a vida dele foi tão intensa que vale cada minuto de Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte. O crime não compensa, mas rende uma história e tanto. Que venha logo a segunda parte.
Janaina Pereira
Sábado, Junho 27, 2009
Top 20
As minhas 20 músicas preferidas do Michael Jackson - porque foi impossível escolher só 10.
1 - Billie Jean
2 - Beat it
3 - Don´t stop 'till you get enough
4 - Bad
5 - Black or white
6 - I'll be there (Jackson 5)
7 - Say, Say, Say (com Paul McCartney)
8 - The way you make me feel
9 - Man in the mirror
10 - Thriller
11 - Blame it on the boogie (Jackson 5)
12- I just can´t stop loving you
13 - I want you back (Jackson 5)
14 - Jam
15 - Heal the world
16 - ABC (Jackson 5)
17 - Human Nature
18 - Can´t you feel it (Jackson 5)
19 - In the closet
20 - Ben (Jackson 5)
Ouça todas as músicas aqui.
Janaina Pereira
As minhas 20 músicas preferidas do Michael Jackson - porque foi impossível escolher só 10.
1 - Billie Jean
2 - Beat it
3 - Don´t stop 'till you get enough
4 - Bad
5 - Black or white
6 - I'll be there (Jackson 5)
7 - Say, Say, Say (com Paul McCartney)
8 - The way you make me feel
9 - Man in the mirror
10 - Thriller
11 - Blame it on the boogie (Jackson 5)
12- I just can´t stop loving you
13 - I want you back (Jackson 5)
14 - Jam
15 - Heal the world
16 - ABC (Jackson 5)
17 - Human Nature
18 - Can´t you feel it (Jackson 5)
19 - In the closet
20 - Ben (Jackson 5)
Ouça todas as músicas aqui.
Janaina Pereira
Sexta-feira, Junho 26, 2009
Michael
Michael Jackson está morto. Aos 50 anos, o Rei do Pop morreu ontem, de parada cardíaca. Como quase todo mundo, quando meu amigo Léo falou da morte de Michael, eu disse que não era verdade... porque volta e meia a imprensa ‘matava’ ele. Mas eis que ligo a TV e na CNN informam que ele estava em coma. No decorrer da noite, a confirmação da morte.
Gosto do Michael Jackson desde que era muito pequena. Minha mãe é fã dos Jackson 5, e tem vários discos de vinil. Então aprendi, ainda no começo da minha vida, a ouvi-lo. Aos 9 anos, ganhei o LP Thriller, aquele que é o mais vendido da história. Aos 12 anos, ganhei o Bad. Depois disso Michael não cresceu comigo, como Madonna, mas ficou marcado como uma das minhas referências musicais da infância.
Amo de paixão a música Billie Jean, adoro Beat it e nem sei dizer quais outros sucessos dele eu curto. Só sei que ainda estou chocada, triste, de luto. Como ele cantou em verso e prosa, não me interessa se ele era negro ou branco, Michael Jackson foi um dos maiores cantores da música pop, e uma prova viva de que sucesso e dinheiro não levam a nada.
Como bem disse Madonna, sua música viverá para sempre. E ele foi tão grande, mas tão grande, que nenhuma de suas loucuras importa. O que fica é um som de alma e ritmo negros, algo inconfundível, a batida, o ritmo, a força de uma música que nunca mais se repetiu.
Hoje é dia de luto.
Janaina Pereira
Michael Jackson está morto. Aos 50 anos, o Rei do Pop morreu ontem, de parada cardíaca. Como quase todo mundo, quando meu amigo Léo falou da morte de Michael, eu disse que não era verdade... porque volta e meia a imprensa ‘matava’ ele. Mas eis que ligo a TV e na CNN informam que ele estava em coma. No decorrer da noite, a confirmação da morte.
Gosto do Michael Jackson desde que era muito pequena. Minha mãe é fã dos Jackson 5, e tem vários discos de vinil. Então aprendi, ainda no começo da minha vida, a ouvi-lo. Aos 9 anos, ganhei o LP Thriller, aquele que é o mais vendido da história. Aos 12 anos, ganhei o Bad. Depois disso Michael não cresceu comigo, como Madonna, mas ficou marcado como uma das minhas referências musicais da infância.
Amo de paixão a música Billie Jean, adoro Beat it e nem sei dizer quais outros sucessos dele eu curto. Só sei que ainda estou chocada, triste, de luto. Como ele cantou em verso e prosa, não me interessa se ele era negro ou branco, Michael Jackson foi um dos maiores cantores da música pop, e uma prova viva de que sucesso e dinheiro não levam a nada.
Como bem disse Madonna, sua música viverá para sempre. E ele foi tão grande, mas tão grande, que nenhuma de suas loucuras importa. O que fica é um som de alma e ritmo negros, algo inconfundível, a batida, o ritmo, a força de uma música que nunca mais se repetiu.
Hoje é dia de luto.
Janaina Pereira
Terça-feira, Junho 23, 2009
O jornalismo é a fonte
Russel Crowe tem pelo menos quatro papéis marcantes no cinema – o policial de Los Angeles, Cidade Proibida, o executivo com dor na consciência em O informante, o mocinho de Gladiador e o cientista de Uma mente brilhante. Os últimos trabalhos do ator, no entanto, deixam a desejar. Muitos quilos acima do peso, ele volta em Intrigas de Estado (State of Play), de Kevin McDonald (do ótimo O último rei da Escócia) – estreia de ontem nos cinemas -, um misto de suspense e ação que coloca mais uma vez os bastidores do jornalismo e da política em xeque.
O filme é baseado em uma série de televisão britânica de mesmo nome, exibida pela BBC de Londres, que obteve relativo sucesso. O ponto de partida da trama é o assassinato de Sonia Baker, assistente de Stephen Collins (Ben Affleck), que investigava para ele o processo de “privatização” das forças armadas dos Estados Unidos. Collins tem um amigo de faculdade, o repórter do The Globe, Cal McAffrey (Crowe) e é ele quem conduz toda a narrativa.
Cal é o tipo de repórter que qualquer redação do mundo gostaria de ter: conhece as pessoas certas, tem faro investigativo apurado, é corajoso, defende e acredita na matéria. Ao lado dele está a inexperiente (e blogueira, diga-se de passagem) repórter Della Frye (Rachel McAdams), responsável pela parte online do jornal que fica conectada aos acontecimentos no Capitólio. No comando da trupe de repórteres está a editora, Cameron (Helen Mirren) – durona, sem papas na língua e determinada como todo editor deve ser – e é, pelo menos no cinema.
O filme mostra algumas ‘verdades’ das redações atuais: o impresso versus o on-line; os jornalistas veteranos esbarrando na pressa da nova geração; a apuração correndo contra o tempo; a matéria sendo derrubada porque os donos do jornal não querem problemas com notícias polêmicas; e algumas questões que norteiam o jornalismo atual – ainda existe ética? Qual o preço que o repórter paga pela proteção das fontes? O jornal impresso vai sobreviver ao mundo virtual?
Tudo isso faz de Intrigas de Estado uma razoável produção sobre jornalismo, nada comparada a clássicos como Todos os Homens do Presidente, Boa noite, boa sorte e o já citado O informante – todos baseados em fatos reais – ou mesmo os ficcionais Síndrome da China, A montanha dos sete abutres e Herói por Acidente.
Apesar de longo – são mais de duas horas de projeção – o filme tem bom ritmo, intercala cenas de ação com diálogos consistentes, e consegue entreter, embora tenha um final previsível. Grande parte da boa performance de Intrigas de Estado se deve a Russel Crowe – que segura a produção com seu habitual talento, mesmo sem ter um grande papel nas mãos – e pela história em si – o jornalismo e a política sempre renderam bons roteiros ao cinema. Não é brilhante, mas funciona.
Janaina Pereira
Russel Crowe tem pelo menos quatro papéis marcantes no cinema – o policial de Los Angeles, Cidade Proibida, o executivo com dor na consciência em O informante, o mocinho de Gladiador e o cientista de Uma mente brilhante. Os últimos trabalhos do ator, no entanto, deixam a desejar. Muitos quilos acima do peso, ele volta em Intrigas de Estado (State of Play), de Kevin McDonald (do ótimo O último rei da Escócia) – estreia de ontem nos cinemas -, um misto de suspense e ação que coloca mais uma vez os bastidores do jornalismo e da política em xeque.
O filme é baseado em uma série de televisão britânica de mesmo nome, exibida pela BBC de Londres, que obteve relativo sucesso. O ponto de partida da trama é o assassinato de Sonia Baker, assistente de Stephen Collins (Ben Affleck), que investigava para ele o processo de “privatização” das forças armadas dos Estados Unidos. Collins tem um amigo de faculdade, o repórter do The Globe, Cal McAffrey (Crowe) e é ele quem conduz toda a narrativa.
Cal é o tipo de repórter que qualquer redação do mundo gostaria de ter: conhece as pessoas certas, tem faro investigativo apurado, é corajoso, defende e acredita na matéria. Ao lado dele está a inexperiente (e blogueira, diga-se de passagem) repórter Della Frye (Rachel McAdams), responsável pela parte online do jornal que fica conectada aos acontecimentos no Capitólio. No comando da trupe de repórteres está a editora, Cameron (Helen Mirren) – durona, sem papas na língua e determinada como todo editor deve ser – e é, pelo menos no cinema.
O filme mostra algumas ‘verdades’ das redações atuais: o impresso versus o on-line; os jornalistas veteranos esbarrando na pressa da nova geração; a apuração correndo contra o tempo; a matéria sendo derrubada porque os donos do jornal não querem problemas com notícias polêmicas; e algumas questões que norteiam o jornalismo atual – ainda existe ética? Qual o preço que o repórter paga pela proteção das fontes? O jornal impresso vai sobreviver ao mundo virtual?
Tudo isso faz de Intrigas de Estado uma razoável produção sobre jornalismo, nada comparada a clássicos como Todos os Homens do Presidente, Boa noite, boa sorte e o já citado O informante – todos baseados em fatos reais – ou mesmo os ficcionais Síndrome da China, A montanha dos sete abutres e Herói por Acidente.
Apesar de longo – são mais de duas horas de projeção – o filme tem bom ritmo, intercala cenas de ação com diálogos consistentes, e consegue entreter, embora tenha um final previsível. Grande parte da boa performance de Intrigas de Estado se deve a Russel Crowe – que segura a produção com seu habitual talento, mesmo sem ter um grande papel nas mãos – e pela história em si – o jornalismo e a política sempre renderam bons roteiros ao cinema. Não é brilhante, mas funciona.
Janaina Pereira
Sábado, Junho 20, 2009
Panorama do Cinema Francês
Há um bando de gente preconceituosa que acha que filme francês é tudo chato. Não concordo. Já assisti vários e muitos, excelentes. Mas minha história de amor com a França, país que nunca me atraiu - eu sempre achei que sou a única pessoa no mundo que não tem vontade de conhecer a Torre Eiffel - começou no início do ano, ao assistir Entre os Muros da Escola. Um dos filmes mais apaixonantes que já vi.
Desde a semana passada tenho visto alguns filmes franceses graças ao Panorama de Cinema Francês, que está rolando no Rio e em São Paulo. E vi três filmes maravilhosos, sendo que um deles eu já coloquei na lista dos melhores filmes da minha vida. Então, aí vão as dicas.
Vejam Inimigo Público nº 1 - Instinto de Morte. A história de um bandido francês que se tornou lenda, contada com muita ação, roteiro muito bem escrito, trilha sonora bacana, direção e fotografia perfeitas... e um ator maravilhoso chamado Vincent Cassel. Estou encantada com ele - o cara é bom pacas. Amei.
Tem ainda Há quanto tempo que te amo. Filme denso, longo e muito, muito, muito bem escrito (amo filmes com roteiros, coisa nem tão comum no cinema), uma história daquelas que te deixam mudo quando o filme acaba. E tem a Kristin Scott Thomas flando francês com fluência e sem sotaque em uma atuação magistral.
E, por último, mas jamais o último, o filme que me deixou em êxtase: Bem-vindo. Uma das melhores coisas que já vi na vida. Isso sem falar que o diretor - que participou de um debate após a exibição - é um fofo. Triste, daquelas tristezas que pesam o coração... mas tão necessário para compreendermos algumas coisas que se escondem na alma humana.
De vez em quando vale a pena sair da mesmice e aproveitar algo além do entretenimento que a telona nos proporciona. Às vezes é bom ir ao cinema para pensar.
Janaina Pereira
Há um bando de gente preconceituosa que acha que filme francês é tudo chato. Não concordo. Já assisti vários e muitos, excelentes. Mas minha história de amor com a França, país que nunca me atraiu - eu sempre achei que sou a única pessoa no mundo que não tem vontade de conhecer a Torre Eiffel - começou no início do ano, ao assistir Entre os Muros da Escola. Um dos filmes mais apaixonantes que já vi.
Desde a semana passada tenho visto alguns filmes franceses graças ao Panorama de Cinema Francês, que está rolando no Rio e em São Paulo. E vi três filmes maravilhosos, sendo que um deles eu já coloquei na lista dos melhores filmes da minha vida. Então, aí vão as dicas.
Vejam Inimigo Público nº 1 - Instinto de Morte. A história de um bandido francês que se tornou lenda, contada com muita ação, roteiro muito bem escrito, trilha sonora bacana, direção e fotografia perfeitas... e um ator maravilhoso chamado Vincent Cassel. Estou encantada com ele - o cara é bom pacas. Amei.
Tem ainda Há quanto tempo que te amo. Filme denso, longo e muito, muito, muito bem escrito (amo filmes com roteiros, coisa nem tão comum no cinema), uma história daquelas que te deixam mudo quando o filme acaba. E tem a Kristin Scott Thomas flando francês com fluência e sem sotaque em uma atuação magistral.
E, por último, mas jamais o último, o filme que me deixou em êxtase: Bem-vindo. Uma das melhores coisas que já vi na vida. Isso sem falar que o diretor - que participou de um debate após a exibição - é um fofo. Triste, daquelas tristezas que pesam o coração... mas tão necessário para compreendermos algumas coisas que se escondem na alma humana.
De vez em quando vale a pena sair da mesmice e aproveitar algo além do entretenimento que a telona nos proporciona. Às vezes é bom ir ao cinema para pensar.
Janaina Pereira
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Diploma: eu tenho. E você?
Acabou-se o diploma para jornalistas. Se com diploma já tinha uma galera medíocre por aí, agora que ferrou tudo. Qualquer um pode ser jornalista - e olha que a faculdade de jornalismo já é repleta de gente ruim. Agora vai ser um Deus nos acuda.
Eu passei quatro anos da minha vida tentando melhorar, e para mim a faculdade foi útil. Tenho muito orgulho do meu diploma e de ter tirado meu MTB com ele. Agora tudo foi jogado no ralo - inclusive a grana que gastei. Parabéns ao ministros do STF. Ao invés de colocarem exame tipo OAB para liberar o MTB - e tirar um bando de farsantes que se autodenominam jornalistas - resolvem acabar com a obrigatoriedade do diploma. Simplesmente vergonhoso.
Sinto-me enojada e enjoada de viver num país que abomina o conhecimento e transforma a Academia em um negócio que só serve para os reitores lucrarem. Pior que com esta crise econômica, a saída nem é mais pelo aeroporto. É triste ver o Brasil se transformar na terra dos blogueiros, dos twitteiros, de gente que não sabe escrever o próprio nome mas assina matéria. Tanto faz eu ter me endividado por quatro anos. Tanto faz eu ter meu diploma, meu MTB, meu currículo. Tanto faz eu saber o que é um lead e ter toda a técnica jornalística. Agora eu só mais uam perdida na multidão.
Janaina Pereira
Acabou-se o diploma para jornalistas. Se com diploma já tinha uma galera medíocre por aí, agora que ferrou tudo. Qualquer um pode ser jornalista - e olha que a faculdade de jornalismo já é repleta de gente ruim. Agora vai ser um Deus nos acuda.
Eu passei quatro anos da minha vida tentando melhorar, e para mim a faculdade foi útil. Tenho muito orgulho do meu diploma e de ter tirado meu MTB com ele. Agora tudo foi jogado no ralo - inclusive a grana que gastei. Parabéns ao ministros do STF. Ao invés de colocarem exame tipo OAB para liberar o MTB - e tirar um bando de farsantes que se autodenominam jornalistas - resolvem acabar com a obrigatoriedade do diploma. Simplesmente vergonhoso.
Sinto-me enojada e enjoada de viver num país que abomina o conhecimento e transforma a Academia em um negócio que só serve para os reitores lucrarem. Pior que com esta crise econômica, a saída nem é mais pelo aeroporto. É triste ver o Brasil se transformar na terra dos blogueiros, dos twitteiros, de gente que não sabe escrever o próprio nome mas assina matéria. Tanto faz eu ter me endividado por quatro anos. Tanto faz eu ter meu diploma, meu MTB, meu currículo. Tanto faz eu saber o que é um lead e ter toda a técnica jornalística. Agora eu só mais uam perdida na multidão.
Janaina Pereira
Quarta-feira, Junho 17, 2009
O tempo não pára
O joelho dói. É como se um trator tivesse passado por cima dele, sem dó nem piedade. A cabeça dói, o corpo padece daquilo que é inevitável: eu envelheci.
Não adianta vir com o papinho de 'você não aparenta a idade que tem'. Isso não importa tanto. Fortalece o ego e só. VocÊ é mais que um corpo de formas perfeitas trabalhadas na academia. Você é osso e todo um organismo que falha ao avançar da idade.
O tempo não perdoa. De repente a gente fica doente, mas quando se é jovem, a recuperação é rápida. Depois dos 30, tudo muda. O corpo falha e fala alto, grita por socorro. Alguns não ligam e morrem cedo. Outros viram hipocondríacos. E há aqueles, como eu, que ficam neuróticos quando sentem dor.
Agora é a época das 'ites'. A sinusite atacou, a tendinite também. Aí vem todas as inflamações juntas, numa série de dores que corroem meu corpo e me atormentam. E aquele monte de exame médico para dizer que você tá velho.
Pois é. O tempo não pára.
Janaina Pereira
O joelho dói. É como se um trator tivesse passado por cima dele, sem dó nem piedade. A cabeça dói, o corpo padece daquilo que é inevitável: eu envelheci.
Não adianta vir com o papinho de 'você não aparenta a idade que tem'. Isso não importa tanto. Fortalece o ego e só. VocÊ é mais que um corpo de formas perfeitas trabalhadas na academia. Você é osso e todo um organismo que falha ao avançar da idade.
O tempo não perdoa. De repente a gente fica doente, mas quando se é jovem, a recuperação é rápida. Depois dos 30, tudo muda. O corpo falha e fala alto, grita por socorro. Alguns não ligam e morrem cedo. Outros viram hipocondríacos. E há aqueles, como eu, que ficam neuróticos quando sentem dor.
Agora é a época das 'ites'. A sinusite atacou, a tendinite também. Aí vem todas as inflamações juntas, numa série de dores que corroem meu corpo e me atormentam. E aquele monte de exame médico para dizer que você tá velho.
Pois é. O tempo não pára.
Janaina Pereira
Segunda-feira, Junho 15, 2009
Direto do front
Os anos passam mas um assunto nunca morre: a guerra. Filmes sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial ainda causam impacto graças às histórias baseadas em fatos reais que continuam surgindo, o que mostra que o tema está longe de se esgotar. Já está em cartaz Os falsários, (Die Fälscher), do austríaco Stefan Ruzowitzky, vencedor do Oscar 2008 de filme estrangeiro; uma história no mínimo curiosa envolvendo judeus e alemães.
Em plena Segunda Guerra, o falsificador Salomon “Sally” Sorowitsch (Karl Markowics) é um artista da cópia. Com seu talento para forjar documentos, ganha dinheiro e notoriedade como criminoso. Mas ele é judeu e acaba preso. Enviado a um campo de concentração, começa a prestar favores aos alemães para se manter vivo.
Em1944, os nazistas transferem o falsificador para outro campo com um objetivo: gerenciar um grupo de prisioneiros na maior falsificação de dinheiro da história. Eles ganham teto, comida e algum conforto. Mas nunca paz. Ao som das bombas e dos fuzilamentos, “Sally” e seus ajudantes se questionam sobre os limites da sobrevivência diante do maior crime de todos: ajudar os nazistas a ganhar a Guerra.
A dúvida moral dos personagens é o grande trunfo do filme – e o que o torna brilhante. Afinal, aqueles judeus estavam trabalhando para o inimigo. Se não o fizessem, morreriam na certa. E é justamente neste ponto que a produção se aprofunda, fazendo o público se questionar junto com os personagens. O que é mais importante, o país ou a própria vida?
Vários filmes já trataram da questão do Holocausto e do nazismo, mas poucos conseguiram levantar tantas questões moralmente conflitantes como este. Totalmente sustentado em sua história, Os falsários é um filme de roteiro, que faz com que todo o resto funcione – direção segura, ótimas fotografia, montagem e direção de arte e atuações memoráveis do elenco, especialmente do protagonista Karl Markowics, que consegue com o olhar expressar os sentimentos dúbios que afligem seu personagem.
Os falsários entra, com louvor, para a seleção dos melhores filmes de guerra – sem apelos dramáticos ou judeus exaustivamente sendo mortos, mas retratando mais um capítulo desse lado obscuro da história mundial.
Janaina Pereira
Os anos passam mas um assunto nunca morre: a guerra. Filmes sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial ainda causam impacto graças às histórias baseadas em fatos reais que continuam surgindo, o que mostra que o tema está longe de se esgotar. Já está em cartaz Os falsários, (Die Fälscher), do austríaco Stefan Ruzowitzky, vencedor do Oscar 2008 de filme estrangeiro; uma história no mínimo curiosa envolvendo judeus e alemães.
Em plena Segunda Guerra, o falsificador Salomon “Sally” Sorowitsch (Karl Markowics) é um artista da cópia. Com seu talento para forjar documentos, ganha dinheiro e notoriedade como criminoso. Mas ele é judeu e acaba preso. Enviado a um campo de concentração, começa a prestar favores aos alemães para se manter vivo.
Em1944, os nazistas transferem o falsificador para outro campo com um objetivo: gerenciar um grupo de prisioneiros na maior falsificação de dinheiro da história. Eles ganham teto, comida e algum conforto. Mas nunca paz. Ao som das bombas e dos fuzilamentos, “Sally” e seus ajudantes se questionam sobre os limites da sobrevivência diante do maior crime de todos: ajudar os nazistas a ganhar a Guerra.
A dúvida moral dos personagens é o grande trunfo do filme – e o que o torna brilhante. Afinal, aqueles judeus estavam trabalhando para o inimigo. Se não o fizessem, morreriam na certa. E é justamente neste ponto que a produção se aprofunda, fazendo o público se questionar junto com os personagens. O que é mais importante, o país ou a própria vida?
Vários filmes já trataram da questão do Holocausto e do nazismo, mas poucos conseguiram levantar tantas questões moralmente conflitantes como este. Totalmente sustentado em sua história, Os falsários é um filme de roteiro, que faz com que todo o resto funcione – direção segura, ótimas fotografia, montagem e direção de arte e atuações memoráveis do elenco, especialmente do protagonista Karl Markowics, que consegue com o olhar expressar os sentimentos dúbios que afligem seu personagem.
Os falsários entra, com louvor, para a seleção dos melhores filmes de guerra – sem apelos dramáticos ou judeus exaustivamente sendo mortos, mas retratando mais um capítulo desse lado obscuro da história mundial.
Janaina Pereira
Sábado, Junho 13, 2009
O perfeito não existe
Difícil Luana Piovani passar desapercebida. Graças à sua beleza ou às suas atitudes polêmicas (e namorados idem), ela está sempre na mídia. Por isso não deixa de ser lúdico o papel da atriz no filme A mulher invisível, de Cláudio Torres. Ao mesmo tempo em que encarna a mulher ideal, Luana só é vista pelos olhos de Pedro, personagem do versátil Selton Mello (daí o título do filme). Com estes elementos, esta comédia romântica deve arrastar uma multidão aos cinemas e confirmar a boa fase das produções brasileiras – que vem apostando, com sucesso, em comédias simpáticas com atores carismáticos.
A história começa com o fim do casamento do controlador de trânsito Pedro que, desiludido, resolve se ‘fechar’ para o mundo. Um dia, sua vizinha Amanda (Luana) bate à porta de seu apartamento para pedir uma xícara de açúcar. Diante daquela jovem linda, sexy e simpática, Pedro se apaixona à primeira vista. Aos poucos, Amanda vai se mostrando a mulher ideal: dedicada, companheira, sempre disposta a ajudar o parceiro, ela está ao lado de Pedro a todo o momento – entende até de futebol! -, fazendo com que o rapaz se envolva cada vez mais.
Enquanto isso, Carlos (Vladmir Britcha), o melhor amigo do controlador de trânsito, começa a desconfiar deste romance. Cético, do tipo que nunca se relaciona seriamente, ele duvida que possa existir alguém tão maravilhoso que valha a pena se envolver. Para completar o ‘quadrilátero’ amoroso temos ainda a vizinha de Pedro, Vitória (Maria Manoella), que se apaixona por ele de tanto ouvi-lo pela parede do apartamento.
Mas Pedro não quer saber de nada do que acontece ao seu redor, até começar a desconfiar que Amanda é tão perfeita… que simplesmente não existe. A partir daí a história garante boas risadas, graças à atuação de Selton, especialmente nas cenas em que parece beijar e agarrar Luana, mas na verdade ele está contracenando com o vazio.
Apesar de tentarem ‘vender’ a ideia de que Luana Piovani rouba o filme – de fato, a coleção de calcinhas e sutiãs que ela desfila em cena são lindas, e a atriz está deslumbrante – quem carrega A Mulher Invisível nas costas é mesmo Selton Mello, mostrando porque, atualmente, sua presença é tão disputada nos filmes brasileiros. Vale citar também a atuação de Fernanda Torres, irmã do diretor, no papel de Lúcia, a irmã de Vitória. Divertida como sempre, Fernandinha dá show e tem as cenas mais engraçadas do filme.
A Mulher Invisível é uma comédia leve e despretensiosa, que mostra um Rio de Janeiro engarrafado, mas ainda belo, e personagens que a gente simpatiza facilmente. É daqueles filmes redondos (roteiro, direção, elenco, tudo funciona direitinho), em que se percebe o quanto foi prazeroso fazê-lo – da mesma forma que é muito legal assisti-lo.
Janaina Pereira
Difícil Luana Piovani passar desapercebida. Graças à sua beleza ou às suas atitudes polêmicas (e namorados idem), ela está sempre na mídia. Por isso não deixa de ser lúdico o papel da atriz no filme A mulher invisível, de Cláudio Torres. Ao mesmo tempo em que encarna a mulher ideal, Luana só é vista pelos olhos de Pedro, personagem do versátil Selton Mello (daí o título do filme). Com estes elementos, esta comédia romântica deve arrastar uma multidão aos cinemas e confirmar a boa fase das produções brasileiras – que vem apostando, com sucesso, em comédias simpáticas com atores carismáticos.
A história começa com o fim do casamento do controlador de trânsito Pedro que, desiludido, resolve se ‘fechar’ para o mundo. Um dia, sua vizinha Amanda (Luana) bate à porta de seu apartamento para pedir uma xícara de açúcar. Diante daquela jovem linda, sexy e simpática, Pedro se apaixona à primeira vista. Aos poucos, Amanda vai se mostrando a mulher ideal: dedicada, companheira, sempre disposta a ajudar o parceiro, ela está ao lado de Pedro a todo o momento – entende até de futebol! -, fazendo com que o rapaz se envolva cada vez mais.
Enquanto isso, Carlos (Vladmir Britcha), o melhor amigo do controlador de trânsito, começa a desconfiar deste romance. Cético, do tipo que nunca se relaciona seriamente, ele duvida que possa existir alguém tão maravilhoso que valha a pena se envolver. Para completar o ‘quadrilátero’ amoroso temos ainda a vizinha de Pedro, Vitória (Maria Manoella), que se apaixona por ele de tanto ouvi-lo pela parede do apartamento.
Mas Pedro não quer saber de nada do que acontece ao seu redor, até começar a desconfiar que Amanda é tão perfeita… que simplesmente não existe. A partir daí a história garante boas risadas, graças à atuação de Selton, especialmente nas cenas em que parece beijar e agarrar Luana, mas na verdade ele está contracenando com o vazio.
Apesar de tentarem ‘vender’ a ideia de que Luana Piovani rouba o filme – de fato, a coleção de calcinhas e sutiãs que ela desfila em cena são lindas, e a atriz está deslumbrante – quem carrega A Mulher Invisível nas costas é mesmo Selton Mello, mostrando porque, atualmente, sua presença é tão disputada nos filmes brasileiros. Vale citar também a atuação de Fernanda Torres, irmã do diretor, no papel de Lúcia, a irmã de Vitória. Divertida como sempre, Fernandinha dá show e tem as cenas mais engraçadas do filme.
A Mulher Invisível é uma comédia leve e despretensiosa, que mostra um Rio de Janeiro engarrafado, mas ainda belo, e personagens que a gente simpatiza facilmente. É daqueles filmes redondos (roteiro, direção, elenco, tudo funciona direitinho), em que se percebe o quanto foi prazeroso fazê-lo – da mesma forma que é muito legal assisti-lo.
Janaina Pereira
Quinta-feira, Junho 11, 2009
Mais um casal suspeito
Quando Julia Roberts conhece Clive Owen na primeira cena de Duplicidade (Duplicity), achei tudo muito parecido com Sr & Sra Smith (2005) – aquele filme em que Brad Pitt se encantou por Angelina Jolie. Minha suspeita se confirmou nas cenas seguintes. O novo filme de Tony Gilroy (Conduta de Risco) é mesmo uma versão ‘cabeça’ daquele que lançou o casal Brangelina – sem pancadaria e com muito mais cérebro – e ainda um trampolim para Julia & Clive repetirem a boa dobradinha de Closer (2004).
Vamos as semelhanças com o filme de Doug Liman. Casal bonito (embora Julia e Owen não tenham a beleza devastadora de Brad e Angelina), com profissões misteriosas que envolvem espionagem e uma trama em que eles são apaixonados, mas se colocam em lados opostos. Dessa vez, porém, a história é sobre espionagem industrial e conta com dois coadjuvantes de peso: Paul Giamati e Tom Wilkinson.
Enquanto Julia é a enigmática Claire, Owen vive Ray, igualmente obscuro. Depois de uma noite de amor – em que ela rouba algo importante dele – descobrimos que eles são espiões, e agem pelo mundo no melhor estilo ‘roubo uma fórmula secreta e leva quem me der mais’.
Aos poucos percebemos que a relação da dupla é mais intensa do que parece. Pelos flashbacks vamos descobrindo que Claire e Ray estão do mesmo lado, ainda que desconfiem um do outro, e planejam um grande golpe. Nestas cenas se destacam a montagem e a edição, grandes aliados do filme. Dá para acompanhar a história sem atropelos, mesmo com as idas e vindas do roteiro – e com passagens de cenas muito inteligentes, mostrando várias ações que ocorrem em tempos diferentes, todas exibidas em pequenos quadros na telona.
Apesar da inteligência em aspectos técnicos, o filme peca pelo roteiro longo – não havia necessidade de 125 minutos de muito papo e pouca ação – e pela total falta de sexy appeal de Julia Roberts, extremamente burocrática no papel. Já Clive Owen imprime todo seu charme e elegância ao personagem, o que lhe garante boas cenas. Mas os destaques do elenco são mesmo Giamatti e Wilkinson, os rabugentos donos de companhias farmacêuticas rivais. A cena em que eles brigam, logo no começo do filme – toda feita em câmera lenta – é primorosa.
Duplicidade não é brilhante como poderia ser, nem divertido como seu ‘alterego’ Sr & Sra Smith. Beira a monotonia mas é salvo pela reviravolta divertida do final e por outros aspectos que o tornam exatamente como seu título: duplo, ambíguo, duas faces. Ora bom, ora nem tanto.
Janaina Pereira
Quando Julia Roberts conhece Clive Owen na primeira cena de Duplicidade (Duplicity), achei tudo muito parecido com Sr & Sra Smith (2005) – aquele filme em que Brad Pitt se encantou por Angelina Jolie. Minha suspeita se confirmou nas cenas seguintes. O novo filme de Tony Gilroy (Conduta de Risco) é mesmo uma versão ‘cabeça’ daquele que lançou o casal Brangelina – sem pancadaria e com muito mais cérebro – e ainda um trampolim para Julia & Clive repetirem a boa dobradinha de Closer (2004).
Vamos as semelhanças com o filme de Doug Liman. Casal bonito (embora Julia e Owen não tenham a beleza devastadora de Brad e Angelina), com profissões misteriosas que envolvem espionagem e uma trama em que eles são apaixonados, mas se colocam em lados opostos. Dessa vez, porém, a história é sobre espionagem industrial e conta com dois coadjuvantes de peso: Paul Giamati e Tom Wilkinson.
Enquanto Julia é a enigmática Claire, Owen vive Ray, igualmente obscuro. Depois de uma noite de amor – em que ela rouba algo importante dele – descobrimos que eles são espiões, e agem pelo mundo no melhor estilo ‘roubo uma fórmula secreta e leva quem me der mais’.
Aos poucos percebemos que a relação da dupla é mais intensa do que parece. Pelos flashbacks vamos descobrindo que Claire e Ray estão do mesmo lado, ainda que desconfiem um do outro, e planejam um grande golpe. Nestas cenas se destacam a montagem e a edição, grandes aliados do filme. Dá para acompanhar a história sem atropelos, mesmo com as idas e vindas do roteiro – e com passagens de cenas muito inteligentes, mostrando várias ações que ocorrem em tempos diferentes, todas exibidas em pequenos quadros na telona.
Apesar da inteligência em aspectos técnicos, o filme peca pelo roteiro longo – não havia necessidade de 125 minutos de muito papo e pouca ação – e pela total falta de sexy appeal de Julia Roberts, extremamente burocrática no papel. Já Clive Owen imprime todo seu charme e elegância ao personagem, o que lhe garante boas cenas. Mas os destaques do elenco são mesmo Giamatti e Wilkinson, os rabugentos donos de companhias farmacêuticas rivais. A cena em que eles brigam, logo no começo do filme – toda feita em câmera lenta – é primorosa.
Duplicidade não é brilhante como poderia ser, nem divertido como seu ‘alterego’ Sr & Sra Smith. Beira a monotonia mas é salvo pela reviravolta divertida do final e por outros aspectos que o tornam exatamente como seu título: duplo, ambíguo, duas faces. Ora bom, ora nem tanto.
Janaina Pereira
Segunda-feira, Junho 08, 2009
No Rio por Gondry
Rebobine, por favor é o nome da exposição interativa que o cineasta francês Michel Gondry, diretor do vencedor do Oscar Brilho eterno de uma mente sem lembranças, apresenta no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio, a partir de amanhã até 9 de agosto.
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um dos meus filmes preferidos - e um dos mais marcantes deste início de século. Por isso, para mim, foi um privilégio acompanhar a abertura da sua exposição hoje, com as ótimas companhias da minha mãe e do meu amigo - também jornalista - Wanderson.
Na exposição, Gondry convida o visitante a filmar seu próprio vídeo, em grupo, em um dos 13 cenários customizáveis criados pelo cineasta, seguindo o “Protocolo Gondry”, uma série de improvisos criativos assim como no longa-metragem homônimo à exposição.
Depois de participar de um workshop de planejamento básico, o grupo, de até dez pessoas, recebe uma câmera para realizar um vídeo de no máximo 20 minutos. A filmagem deverá acontecer em ordem cronológica e a edição, feita na própria câmera. Ao final da produção, o vídeo será exibido em uma televisão que fica à disposição do público no cenário da locadora.
Proporcionar ao público uma oportunidade de interagir com o cinema, numa linguagem moderna, democrática e original, é o objetivo da exposição.
O evento conta ainda com uma mostra de filmes e videoclipes do cineasta, que acontece de 9 a 14 de junho nas salas de cinema e vídeo. Durante os dois meses da exposição, o filme Rebobine, por favor, que inspirou o evento, fica em cartaz no CCBB.
De quebra, ainda vimos o inédito Tokyo!, três medias-metragens transformados em filme - e a parte que cabe a Gondry é brilhante. O diretor conta, no segmento Interior Design, a história de um jovem casal recém-chegado a Tóquio que, durante a procura por um apartamento, passa por radicais mudanças pessoais e físicas. A megalópole é vista como um organismo estranho e misterioso que infecta seus moradores.
Bem ao estilo do diretor, o média-metragem mostra, de forma singular, como a cidade pode modificar cada um de nós – e como podemos ser absorvidos por sua neurose. Inteligente e divertido, Interior Design é um reflexo da busca insana das pessoas para se encaixarem no mundo cada vez mais hostil.
Os outros médias-metragens do filme são Merde, em que Carax dirige o ator Denis Lavant no papel de um sem-teto morador dos subterrâneos de Tóquio, que emerge pelas bocas de esgoto e rouba cigarros, sanduíches e armas dos transeuntes, até de novo desaparecer asfalto abaixo.
O protagonista de Shaking Tokyo, de Joon-ho, é um hikikomori, pessoa que se isola do mundo conectada apenas virtualmente – no caso, ele se esconde em sua casa há quase dez anos e vive de pizza, mas será obrigado a sair de seu casulo ao conhecer uma bela entregadora durante um terremoto.
O filme não foi lançado em circuito comercial no Brasil, mas estará sendo exibido no Ciclo Gondry, no CCBB.
Janaina Pereira
Rebobine, por favor é o nome da exposição interativa que o cineasta francês Michel Gondry, diretor do vencedor do Oscar Brilho eterno de uma mente sem lembranças, apresenta no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio, a partir de amanhã até 9 de agosto.
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um dos meus filmes preferidos - e um dos mais marcantes deste início de século. Por isso, para mim, foi um privilégio acompanhar a abertura da sua exposição hoje, com as ótimas companhias da minha mãe e do meu amigo - também jornalista - Wanderson.
Na exposição, Gondry convida o visitante a filmar seu próprio vídeo, em grupo, em um dos 13 cenários customizáveis criados pelo cineasta, seguindo o “Protocolo Gondry”, uma série de improvisos criativos assim como no longa-metragem homônimo à exposição.
Depois de participar de um workshop de planejamento básico, o grupo, de até dez pessoas, recebe uma câmera para realizar um vídeo de no máximo 20 minutos. A filmagem deverá acontecer em ordem cronológica e a edição, feita na própria câmera. Ao final da produção, o vídeo será exibido em uma televisão que fica à disposição do público no cenário da locadora.
Proporcionar ao público uma oportunidade de interagir com o cinema, numa linguagem moderna, democrática e original, é o objetivo da exposição.
O evento conta ainda com uma mostra de filmes e videoclipes do cineasta, que acontece de 9 a 14 de junho nas salas de cinema e vídeo. Durante os dois meses da exposição, o filme Rebobine, por favor, que inspirou o evento, fica em cartaz no CCBB.
De quebra, ainda vimos o inédito Tokyo!, três medias-metragens transformados em filme - e a parte que cabe a Gondry é brilhante. O diretor conta, no segmento Interior Design, a história de um jovem casal recém-chegado a Tóquio que, durante a procura por um apartamento, passa por radicais mudanças pessoais e físicas. A megalópole é vista como um organismo estranho e misterioso que infecta seus moradores.
Bem ao estilo do diretor, o média-metragem mostra, de forma singular, como a cidade pode modificar cada um de nós – e como podemos ser absorvidos por sua neurose. Inteligente e divertido, Interior Design é um reflexo da busca insana das pessoas para se encaixarem no mundo cada vez mais hostil.
Os outros médias-metragens do filme são Merde, em que Carax dirige o ator Denis Lavant no papel de um sem-teto morador dos subterrâneos de Tóquio, que emerge pelas bocas de esgoto e rouba cigarros, sanduíches e armas dos transeuntes, até de novo desaparecer asfalto abaixo.
O protagonista de Shaking Tokyo, de Joon-ho, é um hikikomori, pessoa que se isola do mundo conectada apenas virtualmente – no caso, ele se esconde em sua casa há quase dez anos e vive de pizza, mas será obrigado a sair de seu casulo ao conhecer uma bela entregadora durante um terremoto.
O filme não foi lançado em circuito comercial no Brasil, mas estará sendo exibido no Ciclo Gondry, no CCBB.
Janaina Pereira
Sexta-feira, Junho 05, 2009
A vida é doce... mas, às vezes, amarga
Existem filmes e filmes que falam do universo feminino. Há muito tempo sabemos que Pedro Almodóvar é um dos raros diretores a filmar com verdade e poesia este mundo tão particular. De vez em quando aparece alguém que capta o espírito e consegue mostrar as mulheres como elas realmente são: sem máscaras, sem maquiagem, sem sutilezas. E foi este o caminho seguido pela atriz e diretora libanesa Nadine Labaki, que faz de Caramelo (Caramel), que estreia nesta sexta, 5, uma pequena obra-prima.
O filme nasceu no projeto Residência do Festival de Cannes, realizado por Nadine em 2004. O longa foi selecionado para o Festival de Toronto 2007 e para a Quinzena dos Realizadores de Cannes 2007. Impossível não se encantar com a história mas, especialmente, com a forma como ela é mostrada.
Usando um elenco de não-atrizes – apenas ela é atriz profissional – para ficar mais próxima da realidade feminina, Nadine Labaki narra a vida de cinco mulheres, que se encontram regularmente no salão Sibelle, em Beirute.
Layale (Labaki) é deslumbrante e cheia de vida, arrasta admiradores por onde passa, mas prefere se prender a um homem casado, que a coloca em segundo plano – e que, obviamente, não vai largar a esposa por ela. Nisrine (Yasmine Al Masri) parece ter o relacionamento perfeito, mas prefere fazer uma arriscada cirurgia para ‘voltar’ a ser virgem do que revelar sua ‘condição’ ao amado. Rima (Joana Moukarzel) é – e ela e todo mundo sabem disso – homossexual, mas não consegue assumir nem lidar com a cliente pela qual se encanta. Jamale (Gisèle Aouad) fracassa nos testes de atriz, mas quer ser jovem a qualquer custo – especialmente depois que o marido a trocou por uma mulher mais jovem. E na história mais tocante do filme, Rose (Siham Haddad) precisa se decidir entre um amor na terceira idade ou seguir com sua vida medíocre, cuidando da irmã mais velha.
No salão, entre cortes de cabelo e depilação à base de caramelo (receita oriental tradicional: açúcar, limão e água), homens, amor, sexo, casamento, maternidade e amadurecimento estão no centro de suas conversas mais íntimas. A forma como cada um dos assuntos é tratado, e como cada mulher é vista pela lente da diretora, é o que faz toda a diferença no filme.
Todas essas mulheres têm seus encantos, mas ao mesmo tempo suas dúvidas e dores. Todas são belas de alguma forma, mas não conseguem se olhar no espelho e encarar suas realidades. Todas são amigas e aconselham umas as outras, mas são incapazes de seguirem um rumo por suas próprias pernas. Todas são tratadas com incrível respeito pelo roteiro – Rodney El Haddad, Jihad Hojeily e Nadine Labaki – tornando-se reais e apaixonantes para o público.
Como propõe o título – uma metáfora sobre o doce que também pode machucar – Caramelo traz o melhor e o pior do universo feminino: o preconceito sexual (seja para gays ou para não-virgens), o amor não correspondido, a falta de amor próprio, o medo de envelhecer, a solidão, a amargura e a tristeza. Tudo isso é abordado de forma delicada, leve e sensível, e ao mesmo tempo forte e devastadora. Exatamente como as mulheres são.
Janaina Pereira
Existem filmes e filmes que falam do universo feminino. Há muito tempo sabemos que Pedro Almodóvar é um dos raros diretores a filmar com verdade e poesia este mundo tão particular. De vez em quando aparece alguém que capta o espírito e consegue mostrar as mulheres como elas realmente são: sem máscaras, sem maquiagem, sem sutilezas. E foi este o caminho seguido pela atriz e diretora libanesa Nadine Labaki, que faz de Caramelo (Caramel), que estreia nesta sexta, 5, uma pequena obra-prima.
O filme nasceu no projeto Residência do Festival de Cannes, realizado por Nadine em 2004. O longa foi selecionado para o Festival de Toronto 2007 e para a Quinzena dos Realizadores de Cannes 2007. Impossível não se encantar com a história mas, especialmente, com a forma como ela é mostrada.
Usando um elenco de não-atrizes – apenas ela é atriz profissional – para ficar mais próxima da realidade feminina, Nadine Labaki narra a vida de cinco mulheres, que se encontram regularmente no salão Sibelle, em Beirute.
Layale (Labaki) é deslumbrante e cheia de vida, arrasta admiradores por onde passa, mas prefere se prender a um homem casado, que a coloca em segundo plano – e que, obviamente, não vai largar a esposa por ela. Nisrine (Yasmine Al Masri) parece ter o relacionamento perfeito, mas prefere fazer uma arriscada cirurgia para ‘voltar’ a ser virgem do que revelar sua ‘condição’ ao amado. Rima (Joana Moukarzel) é – e ela e todo mundo sabem disso – homossexual, mas não consegue assumir nem lidar com a cliente pela qual se encanta. Jamale (Gisèle Aouad) fracassa nos testes de atriz, mas quer ser jovem a qualquer custo – especialmente depois que o marido a trocou por uma mulher mais jovem. E na história mais tocante do filme, Rose (Siham Haddad) precisa se decidir entre um amor na terceira idade ou seguir com sua vida medíocre, cuidando da irmã mais velha.
No salão, entre cortes de cabelo e depilação à base de caramelo (receita oriental tradicional: açúcar, limão e água), homens, amor, sexo, casamento, maternidade e amadurecimento estão no centro de suas conversas mais íntimas. A forma como cada um dos assuntos é tratado, e como cada mulher é vista pela lente da diretora, é o que faz toda a diferença no filme.
Todas essas mulheres têm seus encantos, mas ao mesmo tempo suas dúvidas e dores. Todas são belas de alguma forma, mas não conseguem se olhar no espelho e encarar suas realidades. Todas são amigas e aconselham umas as outras, mas são incapazes de seguirem um rumo por suas próprias pernas. Todas são tratadas com incrível respeito pelo roteiro – Rodney El Haddad, Jihad Hojeily e Nadine Labaki – tornando-se reais e apaixonantes para o público.
Como propõe o título – uma metáfora sobre o doce que também pode machucar – Caramelo traz o melhor e o pior do universo feminino: o preconceito sexual (seja para gays ou para não-virgens), o amor não correspondido, a falta de amor próprio, o medo de envelhecer, a solidão, a amargura e a tristeza. Tudo isso é abordado de forma delicada, leve e sensível, e ao mesmo tempo forte e devastadora. Exatamente como as mulheres são.
Janaina Pereira
Quarta-feira, Junho 03, 2009
A guerra que nunca acabou
Edward Zwick fez um dos melhores filmes sobre guerra – no caso, a Guerra Civil americana – em 1989: Tempo de Glória (Glory), além de lançar Denzel Washington ao sucesso, rendeu o primeiro Oscar (de coadjuvante) ao ator. De lá para cá, o diretor tentou vários caminhos: filme romântico (Lendas da Paixão, com Brad Pitt e sua vasta cabeleira loira andando a cavalo), épico (O último samurai, tentativa frustrada de dar o Oscar a Tom Cruise), ação (o ótimo e premonitório Nova York sitiada) até chegar a Diamantes de Sangue, com Leonardo DiCaprio, belo e sensível relato sobre o tráfico de diamantes na África.
Esperar que o filme seguinte a Diamantes fosse tão bom quanto não é pedir muito. Mas, infelizmente, não é. Embora Um ato de liberdade (Defiance) – a partir de amanhã nos cinemas – seja uma inspirada visão dos judeus sobre o holocausto – e, mesmo o tema sendo repetitivo, ainda há coisas para se falar sobre ele – o filme não acontece. Talvez porque a dureza da história tenha impedido algumas ousadias do diretor.
A trama se passa em 1941. Os bielorussos Tuvia (Daniel Craig, o atual James Bond), Zus (Liev Schreiber, que vem se mostrando um ator versátil e após X-Men Origens: Wolverine aparece neste drama de guerra) e Asael (Jamie Bell, de Billy Elliot) são irmãos que, ao fugir da perseguição nazista aos judeus, se escondem em uma floresta que conhecem desde a infância. De início eles apenas pensam em sobreviver, mas à medida que seus atos de bravura se espalham diversas pessoas passam a procurá-los, em busca de liberdade. Tuvia assume a posição de líder mas é contestado por Zus, que teme que suas decisões os levem à morte.
As reações dos irmãos ao que acontece em volta deles dão o tom pesado de Um ato de liberdade. Judeus brigando entre si por comida, mulheres cedendo aos homens para se sentirem protegidas, ganância, individualismo e muita vingança percorrem as mais de duas horas do filme. Tudo ao som de violinos, bela fotografia e um elenco afinado – e é aí que está o grande pecado desta produção. Tecnicamente ele é perfeito, mas falta emoção.
Um ato de liberdade tinha tudo para ser um grande filme, mas é confuso em suas intenções, misturando demais os gêneros drama e ação, sem convencer em nenhum deles. Assim é apenas mais um bom filme do competente Zwick. O que, nos dias de hoje, já significa muito.
Janaina Pereira
Edward Zwick fez um dos melhores filmes sobre guerra – no caso, a Guerra Civil americana – em 1989: Tempo de Glória (Glory), além de lançar Denzel Washington ao sucesso, rendeu o primeiro Oscar (de coadjuvante) ao ator. De lá para cá, o diretor tentou vários caminhos: filme romântico (Lendas da Paixão, com Brad Pitt e sua vasta cabeleira loira andando a cavalo), épico (O último samurai, tentativa frustrada de dar o Oscar a Tom Cruise), ação (o ótimo e premonitório Nova York sitiada) até chegar a Diamantes de Sangue, com Leonardo DiCaprio, belo e sensível relato sobre o tráfico de diamantes na África.
Esperar que o filme seguinte a Diamantes fosse tão bom quanto não é pedir muito. Mas, infelizmente, não é. Embora Um ato de liberdade (Defiance) – a partir de amanhã nos cinemas – seja uma inspirada visão dos judeus sobre o holocausto – e, mesmo o tema sendo repetitivo, ainda há coisas para se falar sobre ele – o filme não acontece. Talvez porque a dureza da história tenha impedido algumas ousadias do diretor.
A trama se passa em 1941. Os bielorussos Tuvia (Daniel Craig, o atual James Bond), Zus (Liev Schreiber, que vem se mostrando um ator versátil e após X-Men Origens: Wolverine aparece neste drama de guerra) e Asael (Jamie Bell, de Billy Elliot) são irmãos que, ao fugir da perseguição nazista aos judeus, se escondem em uma floresta que conhecem desde a infância. De início eles apenas pensam em sobreviver, mas à medida que seus atos de bravura se espalham diversas pessoas passam a procurá-los, em busca de liberdade. Tuvia assume a posição de líder mas é contestado por Zus, que teme que suas decisões os levem à morte.
As reações dos irmãos ao que acontece em volta deles dão o tom pesado de Um ato de liberdade. Judeus brigando entre si por comida, mulheres cedendo aos homens para se sentirem protegidas, ganância, individualismo e muita vingança percorrem as mais de duas horas do filme. Tudo ao som de violinos, bela fotografia e um elenco afinado – e é aí que está o grande pecado desta produção. Tecnicamente ele é perfeito, mas falta emoção.
Um ato de liberdade tinha tudo para ser um grande filme, mas é confuso em suas intenções, misturando demais os gêneros drama e ação, sem convencer em nenhum deles. Assim é apenas mais um bom filme do competente Zwick. O que, nos dias de hoje, já significa muito.
Janaina Pereira
Segunda-feira, Junho 01, 2009
A fome e a vontade de comer
José Padilha alcançou a fama e os aplausos com o sucesso estrondoso de Tropa de Elite. Mas, para quem não sabe, o diretor tem em seu currículo uma marcante passagem pelo mundo dos documentários – é dele Ônibus 174, sobre o polêmico assalto no Rio de Janeiro que acabou em tragédia. De volta às origens, Padilha foi buscar na fome e na miséria a inspiração para seu novo trabalho, Garapa, que estreia nesta sexta, 22.
O tema, por si só, já causa incômodo. Raras são as pessoas que se dispõem a ir ao cinema para ver famílias passando fome e (sobre)vivendo com 50 reais de ajuda do Governo, o famigerado Bolsa Família. Mas, não se engane. Ao invés de causar tristeza e melancolia, o documentário dá uma certa revolta. Não pela pobreza nua e crua, interessantemente apresentada em preto e branco. Mas pela total ignorância das pessoas que percorrem o filme.
O documentário mostra o dia-a-dia de três famílias do Ceará, todas com os mesmos vícios e defeitos: homens que não trabalham e gastam o dinheiro do auxílio federal em bebida; mulheres que não acham errado parir mesmo sabendo que o filho vai passar fome; crianças desnutridas, com a barriga inchada pelos vermes que brotam dentro e fora do corpo, vermes originários da garapa (bebida feita com água e açúcar que substitui a comida).
Ao longo do filme, a revolta só vai aumentando. É triste saber que o aclamado programa do Governo, o Fome Zero, incentiva o alcoolismo e a fome. O que falta ao nosso povo, antes da comida, é a educação. É aprender que quanto mais filho se tem, mas fome vão passar; quanto mais a mulher aceitar o marido que vende o leite para beber cachaça, mais fome vão passar; quanto mais o homem acreditar que “Deus ajuda”, mais fome sua família vai passar.
Garapa mostra que a fome é cruel sim, especialmente com as crianças indefesas, que sem a educação necessária para entender sua própria realidade, irão seguir o caminho dos pais. Um caminho que passa pela total ignorância e acaba numa beira de estrada, sem ter o que comer.
Janaina Pereira
José Padilha alcançou a fama e os aplausos com o sucesso estrondoso de Tropa de Elite. Mas, para quem não sabe, o diretor tem em seu currículo uma marcante passagem pelo mundo dos documentários – é dele Ônibus 174, sobre o polêmico assalto no Rio de Janeiro que acabou em tragédia. De volta às origens, Padilha foi buscar na fome e na miséria a inspiração para seu novo trabalho, Garapa, que estreia nesta sexta, 22.
O tema, por si só, já causa incômodo. Raras são as pessoas que se dispõem a ir ao cinema para ver famílias passando fome e (sobre)vivendo com 50 reais de ajuda do Governo, o famigerado Bolsa Família. Mas, não se engane. Ao invés de causar tristeza e melancolia, o documentário dá uma certa revolta. Não pela pobreza nua e crua, interessantemente apresentada em preto e branco. Mas pela total ignorância das pessoas que percorrem o filme.
O documentário mostra o dia-a-dia de três famílias do Ceará, todas com os mesmos vícios e defeitos: homens que não trabalham e gastam o dinheiro do auxílio federal em bebida; mulheres que não acham errado parir mesmo sabendo que o filho vai passar fome; crianças desnutridas, com a barriga inchada pelos vermes que brotam dentro e fora do corpo, vermes originários da garapa (bebida feita com água e açúcar que substitui a comida).
Ao longo do filme, a revolta só vai aumentando. É triste saber que o aclamado programa do Governo, o Fome Zero, incentiva o alcoolismo e a fome. O que falta ao nosso povo, antes da comida, é a educação. É aprender que quanto mais filho se tem, mas fome vão passar; quanto mais a mulher aceitar o marido que vende o leite para beber cachaça, mais fome vão passar; quanto mais o homem acreditar que “Deus ajuda”, mais fome sua família vai passar.
Garapa mostra que a fome é cruel sim, especialmente com as crianças indefesas, que sem a educação necessária para entender sua própria realidade, irão seguir o caminho dos pais. Um caminho que passa pela total ignorância e acaba numa beira de estrada, sem ter o que comer.
Janaina Pereira
Sexta-feira, Maio 29, 2009
Eu vi John Connor nascer
Não vi Watchmen, Wolverine nem Star Trek antes ou durante suas vidas cinematográficas. Mas Terminator 4 – ou O Exterminador do Futuro: A Salvação – é outra história. Tinha que ir hoje assistir - o filme estréia nacionalmente só no dia 5. Tinha que ir porque, entre outros motivos, eu vi John Connor nascer.
Adoro ficção científica e sou da geração que viu o futuro apocalíptico nos cinemas – e por isso tenho Blade Runner e O Exterminador do Futuro como alguns dos filmes mais marcantes da minha vida. Sou de uma época em que não se acreditava que o ano 2000 chegaria, o computador era o máximo da modernidade e o futuro seria sombrio. O Exterminador do Futuro simboliza tudo isso: o primeiro, lá de 1984, mostra um dos argumentos mais criativos do cinema – num futuro próximo, todos os humanos serão eliminados do planeta e as máquinas dominarão o mundo. Mas um homem, John Connor, lidera a resistência contra as máquinas. Para acabar com ele, a Skynet – que cria os Exterminadores – envia um modelo ao passado para matar aquela que será a mãe de John - Sarah. A Resistência, no entanto, manda um homem, Kyle Reese, para protege-la. E assim Kyle conhece Sarah e nosso futuro está garantido – e da franquia também.
Por isso hoje, com frio, garoa e sem casaco, mas com a companhia maravilhosa da minha amiga carioca Vivi, era impossível não ver O Exterminador do Futuro: A Salvação. O filme traz referências aos outros da série (a foto de Sarah, a música do Guns, pseudo-Schwarzenegger, John na moto, brigas cibernáticas no final), mas não atrapalha se você não viu nada – ou não viu tudo. Para os fãs, alguns vão dizer que o final é piegas, mas outros, como eu, vão embarcar nas duas horas de ação.
Já começa pela abertura apoteótica e deslumbrante, a trilha contagiante e muita força visual – fotografia e direção de arte impecáveis. A montagem é um assombro, assim como a edição. Tecnicamente o filme é muito bem feito, o que atrai e encanta. É ação pura, sem muito blábláblá.
O ano é o pós-apocalíptico 2018. Christian Bale dá corpo e alma a John Connor, o homem destinado a liderar a resistência humana contra a Skynet e seu exército de Exterminadores. Mas o futuro no qual Connor foi criado para acreditar é parcialmente alterado pela chegada de um estranho cuja última memória é a de estar no corredor da morte: Marcus Wright (Sam Worthington, apontado como mais brilhante que Bale no filme. Digo que ele tem uma boa história para contar dentro da história de Connor, mas Bale é Bale e não se apaga nunca).
Para quem não quer saber mais detalhes do filme, O Exterminador do Futuro: A Salvação é bom pra caramba, daqueles que fazem a gente esquecer a hora e, quando acaba, dá vontade de ver de novo. E de novo. E de novo.
Cuidado! Spoiler
Mas se você seguiu na leitura, vamos lá: Connor precisa determinar se deve ou não confiar em Marcus – porque Marcus é um ciborgue programado para se infiltrar entre os resistentes, e matar Kyle Reese – ainda jovem – e Connor. A questão é que Marcus não sabia exatamente quem era, e acaba ganhando a confiança de nosso salvador.
Enquanto isso, a Skynet prepara seu massacre final. Connor e Marcus embarcam numa odisséia que os levará até o centro das operações da Skynet, e ali se decide o futuro e o passado da humanidade. O final – com o coração de Marcus salvando a vida de Connor – pode não ser digno do filme e da série, mas are espaço para um novo capítulo da franquia.
O original – que vazou na internet e por isso foi modificado – mostrava a morte de Connor, e o ‘reaproveitamento’ de sua pele na máquina Marcus. Seria bem interessante, no fim de tudo, saber que John Connor morreu para nos salvar e virou ciborgue. Mas o que temos agora é John vivo, com coração forte, coração de exterminador, é verdade, mas vivo.
Ele é John Connor. E estamos aqui para continuar lutando contra as máquinas. O fim está próximo. Mas sempre haverá um novo Terminator para fazer John nos salvar.
(E, enquanto isso, os cariocas – que vão dominar o mundo – dominam São Paulo, né, Vivi?)
Janaina Pereira
Não vi Watchmen, Wolverine nem Star Trek antes ou durante suas vidas cinematográficas. Mas Terminator 4 – ou O Exterminador do Futuro: A Salvação – é outra história. Tinha que ir hoje assistir - o filme estréia nacionalmente só no dia 5. Tinha que ir porque, entre outros motivos, eu vi John Connor nascer.
Adoro ficção científica e sou da geração que viu o futuro apocalíptico nos cinemas – e por isso tenho Blade Runner e O Exterminador do Futuro como alguns dos filmes mais marcantes da minha vida. Sou de uma época em que não se acreditava que o ano 2000 chegaria, o computador era o máximo da modernidade e o futuro seria sombrio. O Exterminador do Futuro simboliza tudo isso: o primeiro, lá de 1984, mostra um dos argumentos mais criativos do cinema – num futuro próximo, todos os humanos serão eliminados do planeta e as máquinas dominarão o mundo. Mas um homem, John Connor, lidera a resistência contra as máquinas. Para acabar com ele, a Skynet – que cria os Exterminadores – envia um modelo ao passado para matar aquela que será a mãe de John - Sarah. A Resistência, no entanto, manda um homem, Kyle Reese, para protege-la. E assim Kyle conhece Sarah e nosso futuro está garantido – e da franquia também.
Por isso hoje, com frio, garoa e sem casaco, mas com a companhia maravilhosa da minha amiga carioca Vivi, era impossível não ver O Exterminador do Futuro: A Salvação. O filme traz referências aos outros da série (a foto de Sarah, a música do Guns, pseudo-Schwarzenegger, John na moto, brigas cibernáticas no final), mas não atrapalha se você não viu nada – ou não viu tudo. Para os fãs, alguns vão dizer que o final é piegas, mas outros, como eu, vão embarcar nas duas horas de ação.
Já começa pela abertura apoteótica e deslumbrante, a trilha contagiante e muita força visual – fotografia e direção de arte impecáveis. A montagem é um assombro, assim como a edição. Tecnicamente o filme é muito bem feito, o que atrai e encanta. É ação pura, sem muito blábláblá.
O ano é o pós-apocalíptico 2018. Christian Bale dá corpo e alma a John Connor, o homem destinado a liderar a resistência humana contra a Skynet e seu exército de Exterminadores. Mas o futuro no qual Connor foi criado para acreditar é parcialmente alterado pela chegada de um estranho cuja última memória é a de estar no corredor da morte: Marcus Wright (Sam Worthington, apontado como mais brilhante que Bale no filme. Digo que ele tem uma boa história para contar dentro da história de Connor, mas Bale é Bale e não se apaga nunca).
Para quem não quer saber mais detalhes do filme, O Exterminador do Futuro: A Salvação é bom pra caramba, daqueles que fazem a gente esquecer a hora e, quando acaba, dá vontade de ver de novo. E de novo. E de novo.
Cuidado! Spoiler
Mas se você seguiu na leitura, vamos lá: Connor precisa determinar se deve ou não confiar em Marcus – porque Marcus é um ciborgue programado para se infiltrar entre os resistentes, e matar Kyle Reese – ainda jovem – e Connor. A questão é que Marcus não sabia exatamente quem era, e acaba ganhando a confiança de nosso salvador.
Enquanto isso, a Skynet prepara seu massacre final. Connor e Marcus embarcam numa odisséia que os levará até o centro das operações da Skynet, e ali se decide o futuro e o passado da humanidade. O final – com o coração de Marcus salvando a vida de Connor – pode não ser digno do filme e da série, mas are espaço para um novo capítulo da franquia.
O original – que vazou na internet e por isso foi modificado – mostrava a morte de Connor, e o ‘reaproveitamento’ de sua pele na máquina Marcus. Seria bem interessante, no fim de tudo, saber que John Connor morreu para nos salvar e virou ciborgue. Mas o que temos agora é John vivo, com coração forte, coração de exterminador, é verdade, mas vivo.
Ele é John Connor. E estamos aqui para continuar lutando contra as máquinas. O fim está próximo. Mas sempre haverá um novo Terminator para fazer John nos salvar.
(E, enquanto isso, os cariocas – que vão dominar o mundo – dominam São Paulo, né, Vivi?)
Janaina Pereira
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Daugther of God
David, amigo querido, falou esses dias que meus textos aqui, às vezes, são como um soco no estômago. Fiquei surpresa. Eu nem tenho sido tão ácida assim! A vida anda supercorrida e eu mal tenho tempo de destilar meu veneno. Estou tão fofa ultimamente que quase não me reconheço.
Sempre tive uma visão, digamos, amarga da vida. Não sou do tipo que vê o mundo cor de rosa, e estou longe de ser otimista. Outro dia tive uma aula no MBA em que o professor destruiu a economia e a evolução tecnológica brasileira. Amei. Porque não sou baba-ovo de achar que o Brasil é um país que está dando certo. Se estivesse, eu não estaria onde estou fazendo o que faço.
Olho pros lados e vejo o que se repete desde que meu pai era vivo: gente mais ou menos se dando bem, gente mais ou menos trabalhando, gente mais ou menos cheia de si. Como eu sou mais, e estou longe de ser menos, dei um tempo pra mim mesma, e não me mato mais por isso.
Aprender que não posso abraçar o mundo com minhas mãos e que tenho que repartir as coisas foi muito complicado, mas tem dado certo. Lá de cima alguém olha e me dá motivos para seguir em frente. Por isso não estou azeda, nem ácida, nem amarga. Estou serena porque, mesmo no meu mundinho, eu brilho.
E faço cada dia valer a pena. Afinal, Deus disse: desce e arrasa. E eu estou apenas fazendo o que o Pai Celestial mandou.
Janaina Pereira
David, amigo querido, falou esses dias que meus textos aqui, às vezes, são como um soco no estômago. Fiquei surpresa. Eu nem tenho sido tão ácida assim! A vida anda supercorrida e eu mal tenho tempo de destilar meu veneno. Estou tão fofa ultimamente que quase não me reconheço.
Sempre tive uma visão, digamos, amarga da vida. Não sou do tipo que vê o mundo cor de rosa, e estou longe de ser otimista. Outro dia tive uma aula no MBA em que o professor destruiu a economia e a evolução tecnológica brasileira. Amei. Porque não sou baba-ovo de achar que o Brasil é um país que está dando certo. Se estivesse, eu não estaria onde estou fazendo o que faço.
Olho pros lados e vejo o que se repete desde que meu pai era vivo: gente mais ou menos se dando bem, gente mais ou menos trabalhando, gente mais ou menos cheia de si. Como eu sou mais, e estou longe de ser menos, dei um tempo pra mim mesma, e não me mato mais por isso.
Aprender que não posso abraçar o mundo com minhas mãos e que tenho que repartir as coisas foi muito complicado, mas tem dado certo. Lá de cima alguém olha e me dá motivos para seguir em frente. Por isso não estou azeda, nem ácida, nem amarga. Estou serena porque, mesmo no meu mundinho, eu brilho.
E faço cada dia valer a pena. Afinal, Deus disse: desce e arrasa. E eu estou apenas fazendo o que o Pai Celestial mandou.
Janaina Pereira
Terça-feira, Maio 26, 2009
E continuam as continuações
Quando Uma noite no museu foi lançado, em 2006, arrastou multidões de famílias ao cinema. O sucesso do filme gerou uma óbvia continuação, que chega à telona amanhã. E continuações sempre trazem desconfianças. Com raras exceções, geralmente o segundo filme da série – sim, porque parece natural que Uma noite no museu vire franquia – é fraco. Neste caso, não dá para levar essa observação ao pé da letra.
Uma noite no museu 2 não é ruim, mas está longe de ter o frescor do primeiro. Agora vemos Larry Daley (Ben Stiller) como dono de sua própria empresa. De vez em quando ele volta ao Museu de História Natural, onde trabalhava, para rever os amigos que, à noite, ganham vida. Só que o museu está prestes a passar por uma reforma, o que fará com que vários dos bonecos de cera sejam substituídos por máquinas que permitem a interação com o público.
Alguns dos bonecos são enviados ao Instituto Smithsonian, em Washington, o maior complexo de museus do mundo. E é de lá que Jedediah (Owen Wilson), o caubói diminuto, liga para Larry pedindo a ajuda do ex-guarda noturno. Larry invade o Smithsonian e descobre que o faraó Kahmunrah (Hank Azaria) despertou, tornando-se uma ameaça não apenas para seus amigos como para o planeta.
As confusões que envolvem Larry e Kahmunrah geram piadas divertidas, como as cenas em que o faraó busca apoio de grandes vilões para derrotar o ex-guarda. De Al Capone a Napoleão, todos se unem para destruir os bonecos de cera. A melhor cena, no entanto, é quando Kahmunrah reprova Darth Vader que, para o faraó, é algo indefinido, ‘ele é mau, é asmático, não sabe direito que tipo de vilão é’. Hilário e muito bem sacado.
Os quadros que interagem com Larry são outro bom momento e dão ar de novidade a esta seqüência, que conta ainda com Amy Adams para fazer par romântico com Ben Stiller. Com direito a cupidos fofos cantando para o casal. Muito bonitinho.
Uma noite no museu 2 não desagrada aos fãs do primeiro filme, e é uma boa opção para a família se reunir e ir ao cinema. Pode não ser tão divertido como o primeiro, mas tem sua graça.
Janaina Pereira
Quando Uma noite no museu foi lançado, em 2006, arrastou multidões de famílias ao cinema. O sucesso do filme gerou uma óbvia continuação, que chega à telona amanhã. E continuações sempre trazem desconfianças. Com raras exceções, geralmente o segundo filme da série – sim, porque parece natural que Uma noite no museu vire franquia – é fraco. Neste caso, não dá para levar essa observação ao pé da letra.
Uma noite no museu 2 não é ruim, mas está longe de ter o frescor do primeiro. Agora vemos Larry Daley (Ben Stiller) como dono de sua própria empresa. De vez em quando ele volta ao Museu de História Natural, onde trabalhava, para rever os amigos que, à noite, ganham vida. Só que o museu está prestes a passar por uma reforma, o que fará com que vários dos bonecos de cera sejam substituídos por máquinas que permitem a interação com o público.
Alguns dos bonecos são enviados ao Instituto Smithsonian, em Washington, o maior complexo de museus do mundo. E é de lá que Jedediah (Owen Wilson), o caubói diminuto, liga para Larry pedindo a ajuda do ex-guarda noturno. Larry invade o Smithsonian e descobre que o faraó Kahmunrah (Hank Azaria) despertou, tornando-se uma ameaça não apenas para seus amigos como para o planeta.
As confusões que envolvem Larry e Kahmunrah geram piadas divertidas, como as cenas em que o faraó busca apoio de grandes vilões para derrotar o ex-guarda. De Al Capone a Napoleão, todos se unem para destruir os bonecos de cera. A melhor cena, no entanto, é quando Kahmunrah reprova Darth Vader que, para o faraó, é algo indefinido, ‘ele é mau, é asmático, não sabe direito que tipo de vilão é’. Hilário e muito bem sacado.
Os quadros que interagem com Larry são outro bom momento e dão ar de novidade a esta seqüência, que conta ainda com Amy Adams para fazer par romântico com Ben Stiller. Com direito a cupidos fofos cantando para o casal. Muito bonitinho.
Uma noite no museu 2 não desagrada aos fãs do primeiro filme, e é uma boa opção para a família se reunir e ir ao cinema. Pode não ser tão divertido como o primeiro, mas tem sua graça.
Janaina Pereira
Domingo, Maio 24, 2009
Universo Animado
Agradeço publicamente ao meu querido amigo Léo Francisco, dos sites Universo Animado e Planeta Disney, pela oportunidade de continuar escrevendo sobre minha maior paixão: o cinema. Valeu, querido!
Leiam no Universo Animado
Crítica de Budapeste.
Reportagem com e sobre Hugh "Wolverine" Jackman.
Janaina Pereira
Agradeço publicamente ao meu querido amigo Léo Francisco, dos sites Universo Animado e Planeta Disney, pela oportunidade de continuar escrevendo sobre minha maior paixão: o cinema. Valeu, querido!
Leiam no Universo Animado
Crítica de Budapeste.
Reportagem com e sobre Hugh "Wolverine" Jackman.
Janaina Pereira
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Anjos, demônios, correrias, mistérios e afins
O Código da Vinci foi um livro tão badalado, mas tão badalado, que me senti na obrigação de ler. O best-seller, de fato, prende a atenção, mas está longe de ser bom. Já nas primeiras páginas, era perceptível a intenção do autor Dan Brown: levar a história para a telona. Não demorou para Ron Howard comprar os direitos do livro e escolher Tom Hanks para o papel de Robert Langdon no cinema.
O Código da Vinci, o filme, até foi bem nas bilheterias mas ganhou críticas no mundo inteiro. Não faço parte dessa legião de odiadores do Código. Para mim, o filme resume bem o livro, embora foque mais nas correrias do que na história polêmica. O que me incomodou mais foi a escolha de Hanks (com um cabelo lastimável) para o papel principal – adoro ele, mas Tom não é Robert em hipótese alguma.
Mas, antes de Código virar best-seller, Dan Brown havia feito algo muito parecido no livro Anjos e Demônios. Sem sucesso, o livro seria reeditado depois da ‘DaVincimania’. E, obviamente, agora virou filme. O lançamento mundial é nesta sexta, dia 15, e se você está ansioso para saber se o filme é melhor ou pior que o Código, fique tranqüilo: Anjos e Demônios (Angels & Demons), o filme, é muito bom. E eu tenho vários motivos para gostar dele – a começar pelo fato de não ter lido o livro.
Não li e nem quero ler, é bom frisar. Acho o Dan Brown péssimo, sempre repetindo a formulinha professor pseudo-Indiana Jones, pentagrama, terra estrangeira, mulher forte que impulsiona o herói, ciência x religião… ah,demais para mim. O cara é tão previsível e repetitivo que cansa. Mas o filme não tem nada a ver com isso. Parece que é pouco – ou menos – fiel ao livro, porém isso também não importa. O filme funciona como entretenimento puro e simples, por isso vale muito a pena.
A história se passa um ano antes da aventura de Langdon na França – roteiro de O Código da Vinci – é bom frisar isso porque o filme dá a sensação que a aventura acontece depois da passagem de Langdon pelo Louvre. O professor é levado até o Vaticano para ajudar a descobrir o paradeiro dos quatro cardeais mais cotados para a sucessão papal. – o Pontífice morreu e estão todos esperando a fumaça branca. Em terras italianas ele descobre indícios de algo inimaginável: a assinatura marcada no corpo de um físico assassinado no CERN, um grande centro de pesquisas na Suíça, é um ambigrama, palavra que pode ser lida tanto de cabeça para cima quanto de cabeça para baixo e pertence aos Illuminati, uma poderosa fraternidade considerada extinta há 400 anos (qualquer semelhança com Código não é mera coincidência).
De posse de uma nova arma devastadora, roubada do tal centro de pesquisas, os Illuminati ameaçam explodir a Cidade do Vaticano e matar os quatro. Correndo contra o tempo, Langdon se une a Vittoria Vetra (Ayelet Zurer, a bela da vez), que trabalhava com o físico assassinado, para tentar salvar a vida dos cardeais e de todos que clamam por um novo Papa na Praça São Pedro.
Juntos, eles percorrem a cidade do Vaticano sem correrias, mas com um roteiro redondinho, daqueles que fazem a gente pensar, torcer e – isso foi o melhor – rir. Tom Hanks segura a onda e o filme com piadinhas sarcásticas, poucas mas convincentes cenas de ação e sem topete. E ganha um companheiro de cena à altura: Ewan McGregor está ótimo como o camerlengo Carlo Ventresca, que ajuda Langdon em sua peregrinação em busca da verdade.
São mais de duas horas de uma história não tão polêmica como Maria Madalena ser um dos apóstolos, mas que garante muita diversão – com direito a reviravolta básica no final (não me surpreendeu, mas apenas porque já conheço a ‘fórmula Dan Brown de escrever’). Entre criptas, igrejas e catedrais, o filme transcorre sem atropelos mas com dinamismo perfeito para encher de alegria corações sedentos por um bom entretenimento.
Anjos e Demônios prova que Dan Brown é ruim mesmo, então, não leia o livro e vá direto ao cinema.Vai ser muito mais prazeroso e divertido.
Janaina Pereira
O Código da Vinci foi um livro tão badalado, mas tão badalado, que me senti na obrigação de ler. O best-seller, de fato, prende a atenção, mas está longe de ser bom. Já nas primeiras páginas, era perceptível a intenção do autor Dan Brown: levar a história para a telona. Não demorou para Ron Howard comprar os direitos do livro e escolher Tom Hanks para o papel de Robert Langdon no cinema.
O Código da Vinci, o filme, até foi bem nas bilheterias mas ganhou críticas no mundo inteiro. Não faço parte dessa legião de odiadores do Código. Para mim, o filme resume bem o livro, embora foque mais nas correrias do que na história polêmica. O que me incomodou mais foi a escolha de Hanks (com um cabelo lastimável) para o papel principal – adoro ele, mas Tom não é Robert em hipótese alguma.
Mas, antes de Código virar best-seller, Dan Brown havia feito algo muito parecido no livro Anjos e Demônios. Sem sucesso, o livro seria reeditado depois da ‘DaVincimania’. E, obviamente, agora virou filme. O lançamento mundial é nesta sexta, dia 15, e se você está ansioso para saber se o filme é melhor ou pior que o Código, fique tranqüilo: Anjos e Demônios (Angels & Demons), o filme, é muito bom. E eu tenho vários motivos para gostar dele – a começar pelo fato de não ter lido o livro.
Não li e nem quero ler, é bom frisar. Acho o Dan Brown péssimo, sempre repetindo a formulinha professor pseudo-Indiana Jones, pentagrama, terra estrangeira, mulher forte que impulsiona o herói, ciência x religião… ah,demais para mim. O cara é tão previsível e repetitivo que cansa. Mas o filme não tem nada a ver com isso. Parece que é pouco – ou menos – fiel ao livro, porém isso também não importa. O filme funciona como entretenimento puro e simples, por isso vale muito a pena.
A história se passa um ano antes da aventura de Langdon na França – roteiro de O Código da Vinci – é bom frisar isso porque o filme dá a sensação que a aventura acontece depois da passagem de Langdon pelo Louvre. O professor é levado até o Vaticano para ajudar a descobrir o paradeiro dos quatro cardeais mais cotados para a sucessão papal. – o Pontífice morreu e estão todos esperando a fumaça branca. Em terras italianas ele descobre indícios de algo inimaginável: a assinatura marcada no corpo de um físico assassinado no CERN, um grande centro de pesquisas na Suíça, é um ambigrama, palavra que pode ser lida tanto de cabeça para cima quanto de cabeça para baixo e pertence aos Illuminati, uma poderosa fraternidade considerada extinta há 400 anos (qualquer semelhança com Código não é mera coincidência).
De posse de uma nova arma devastadora, roubada do tal centro de pesquisas, os Illuminati ameaçam explodir a Cidade do Vaticano e matar os quatro. Correndo contra o tempo, Langdon se une a Vittoria Vetra (Ayelet Zurer, a bela da vez), que trabalhava com o físico assassinado, para tentar salvar a vida dos cardeais e de todos que clamam por um novo Papa na Praça São Pedro.
Juntos, eles percorrem a cidade do Vaticano sem correrias, mas com um roteiro redondinho, daqueles que fazem a gente pensar, torcer e – isso foi o melhor – rir. Tom Hanks segura a onda e o filme com piadinhas sarcásticas, poucas mas convincentes cenas de ação e sem topete. E ganha um companheiro de cena à altura: Ewan McGregor está ótimo como o camerlengo Carlo Ventresca, que ajuda Langdon em sua peregrinação em busca da verdade.
São mais de duas horas de uma história não tão polêmica como Maria Madalena ser um dos apóstolos, mas que garante muita diversão – com direito a reviravolta básica no final (não me surpreendeu, mas apenas porque já conheço a ‘fórmula Dan Brown de escrever’). Entre criptas, igrejas e catedrais, o filme transcorre sem atropelos mas com dinamismo perfeito para encher de alegria corações sedentos por um bom entretenimento.
Anjos e Demônios prova que Dan Brown é ruim mesmo, então, não leia o livro e vá direto ao cinema.Vai ser muito mais prazeroso e divertido.
Janaina Pereira
Terça-feira, Maio 19, 2009
Nada além
Você quer se entregar mas não dá. Há algo que te prende. Que te deixa meio perdido no caminho, que impede a felicidade plena. É o medo. É o receio. É a falta de esperança no próximo.
Não sei se continuo ou páro por aqui. Gostar não é o bastante. Sentir não é o bastante. Talvez seja melhor párar antes do sofrimento.
E assim deixar seguir o caminho, sem pressa, mas renovada.
Janaina Pereira
Você quer se entregar mas não dá. Há algo que te prende. Que te deixa meio perdido no caminho, que impede a felicidade plena. É o medo. É o receio. É a falta de esperança no próximo.
Não sei se continuo ou páro por aqui. Gostar não é o bastante. Sentir não é o bastante. Talvez seja melhor párar antes do sofrimento.
E assim deixar seguir o caminho, sem pressa, mas renovada.
Janaina Pereira
Domingo, Maio 17, 2009
Você sabe quem foi Simonal?
Infelizmente, o Brasil não é um país em que os documentários fazem parte da vida cinematográfica das pessoas. Há um preconceito de que documentário é chato ou coisa de gente cult. Se você também acredita nisso, pode tentar fazer o esforço de se livrar dessa ideia e ir ao cinema assistir Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal. O documentário, a partir de hoje nos cinemas, relata a vida controversa do cantor Wilson Simonal e é um dos mais emocionantes e significativos já feitos por aqui.
Para começar, se você tem menos de 30 anos e nunca ouviu falar de Wilson Simonal, terá uma aula de música e, de quebra, vai saber um pouco mais sobre os bastidores de uma parte cruel da nossa história – a época da ditadura militar, sob a ótica cultural. Se você, como eu, já sabia quem foi Simonal, terá a grata surpresa de embarcar no suingue e na simpatia do cantor, para depois acompanhar as versões – algumas inéditas – de sua conturbada vida fora dos palcos.
Wilson Simonal foi o primeiro cantor negro brasileiro a alcançar posição de estrela na mídia. Dono de voz marcante e cheio de gingado, cativou multidões em shows históricos, lotando ginásios como o Maracanãzinho, no Rio. Na primeira parte do filme, acompanhamos sua carreira musical e uma coletânea de seus sucessos como Meu limão, meu limoeiro, Mamãe passou açúcar em mim e a versão patropi de País Tropical, do então Jorge Bem.
Para contar essa história, os diretores usaram imagens da época e depoimentos de gente que conviveu com Simonal, como os produtores Nélson Motta e Miéle, o cantor e ator Tony Tornado e os humoristas Castrinho e Chico Anysio, além dos filhos do cantor – Max de Castro e Simoninha - e até mesmo Pelé, com quem Simonal bateu bola no Santos e no México, às vésperas do tricampeonato de 1970.
A segunda parte do documentário, porém, mostra a virada na carreira do cantor: após um incidente com seu contador, em que foi acusado de agredir o funcionário e mandá-lo ao DOPS – o órgão do Governo que controlava e reprimia os movimentos políticos e sociais – Simonal é apontado como delator e favorável à ditadura. Nos anos 1970, auge do regime militar no Brasil, esse tipo de acusação era o fim da carreira de qualquer artista. E o filme, entre depoimentos e manchetes dos jornais da época, coloca o dedo na ferida, apresentando a classe artística e a imprensa como responsáveis pela derrocada de Simonal.
Um grande mérito dos diretores foi conseguir o depoimento de Raphael Viviani, o contador de Simonal e que deu início a confusão na vida do cantor. Sem nunca ter sido ouvido para contar sua versão, ele deixa no ar a suposta ingenuidade que os amigos de Simonal apontam como o motivo para ele ser considerado ‘dedo-duro’. Mas o objetivo de Simonal – Ninguém sabe o duro que dei não é fazer do artista herói ou vilão de sua própria história. É apenas contar os dois lados da mesma moeda da vida deste grande nome da música brasileira – o sucesso e o ostracismo, os aplausos e as vaias, o sorriso e as lágrimas.
Tudo isso é apresentado de forma contagiante, como o próprio Simonal era. Vai ser difícil alguém resistir ao carisma do cantor e ao emocionante relato de sua trajetória.
Janaina Pereira
Infelizmente, o Brasil não é um país em que os documentários fazem parte da vida cinematográfica das pessoas. Há um preconceito de que documentário é chato ou coisa de gente cult. Se você também acredita nisso, pode tentar fazer o esforço de se livrar dessa ideia e ir ao cinema assistir Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal. O documentário, a partir de hoje nos cinemas, relata a vida controversa do cantor Wilson Simonal e é um dos mais emocionantes e significativos já feitos por aqui.
Para começar, se você tem menos de 30 anos e nunca ouviu falar de Wilson Simonal, terá uma aula de música e, de quebra, vai saber um pouco mais sobre os bastidores de uma parte cruel da nossa história – a época da ditadura militar, sob a ótica cultural. Se você, como eu, já sabia quem foi Simonal, terá a grata surpresa de embarcar no suingue e na simpatia do cantor, para depois acompanhar as versões – algumas inéditas – de sua conturbada vida fora dos palcos.
Wilson Simonal foi o primeiro cantor negro brasileiro a alcançar posição de estrela na mídia. Dono de voz marcante e cheio de gingado, cativou multidões em shows históricos, lotando ginásios como o Maracanãzinho, no Rio. Na primeira parte do filme, acompanhamos sua carreira musical e uma coletânea de seus sucessos como Meu limão, meu limoeiro, Mamãe passou açúcar em mim e a versão patropi de País Tropical, do então Jorge Bem.
Para contar essa história, os diretores usaram imagens da época e depoimentos de gente que conviveu com Simonal, como os produtores Nélson Motta e Miéle, o cantor e ator Tony Tornado e os humoristas Castrinho e Chico Anysio, além dos filhos do cantor – Max de Castro e Simoninha - e até mesmo Pelé, com quem Simonal bateu bola no Santos e no México, às vésperas do tricampeonato de 1970.
A segunda parte do documentário, porém, mostra a virada na carreira do cantor: após um incidente com seu contador, em que foi acusado de agredir o funcionário e mandá-lo ao DOPS – o órgão do Governo que controlava e reprimia os movimentos políticos e sociais – Simonal é apontado como delator e favorável à ditadura. Nos anos 1970, auge do regime militar no Brasil, esse tipo de acusação era o fim da carreira de qualquer artista. E o filme, entre depoimentos e manchetes dos jornais da época, coloca o dedo na ferida, apresentando a classe artística e a imprensa como responsáveis pela derrocada de Simonal.
Um grande mérito dos diretores foi conseguir o depoimento de Raphael Viviani, o contador de Simonal e que deu início a confusão na vida do cantor. Sem nunca ter sido ouvido para contar sua versão, ele deixa no ar a suposta ingenuidade que os amigos de Simonal apontam como o motivo para ele ser considerado ‘dedo-duro’. Mas o objetivo de Simonal – Ninguém sabe o duro que dei não é fazer do artista herói ou vilão de sua própria história. É apenas contar os dois lados da mesma moeda da vida deste grande nome da música brasileira – o sucesso e o ostracismo, os aplausos e as vaias, o sorriso e as lágrimas.
Tudo isso é apresentado de forma contagiante, como o próprio Simonal era. Vai ser difícil alguém resistir ao carisma do cantor e ao emocionante relato de sua trajetória.
Janaina Pereira
Quinta-feira, Maio 14, 2009
Para os corações partidos
Relembrei ontem uma música da minha adolescência, que eu sempre achei muito triste. Kayleigh, do Marillion, era a canção que me fazia chorar quando eu lembrava o quanto é doloroso magoar e ser magoado.
Veja o clip aqui.
Do you remember, chalk hearts melting on a playground wall
Do you remember, dawn escapes from moonwashed college halls
Do you remember, the cherry blossom in the market square
Do you remember, I thought it was confetti in our hair
By the way didn't I break your heart
Please excuse me I never meant to break your heart
So sorry I never meant to break your heart
But you broke mine
Kayleigh, is it too late to say I'm sorry?
And Kayleigh, could we get it together again
I just can't go on pretending that it came to a natural end
Kayleigh, oh I never thought I'd miss you
And Kayleigh, I thought that we'd always be friends
We said our love would last forever
So how did it come to this bitter end
Oh, oh yeah!
Do you remember, barefoot on the lawn with shooting stars
Do you remember, the loving on the floor in Belsize Park
Do you remember, dancing in stilettoes in the snow
Do you remember, you never understood I had to go
By the way, didn't I break your heart
Please excuse me, I never meant to break your heart
So sorry, I never meant to break your heart
But you broke mine
Kayleigh, I just wanna say I'm sorry
But Kayleigh, I'm too scared to pick up the phone
To hear you've found another lover to patch up our broken home
Kayleigh, I'm still trying to write that love song
Kayleigh, it's more important to me, now you're gone
Maybe it'll prove that we were right or ever prove that I was wrong
Kayleigh (tradução)
Você se lembra, corações de giz derretendo no muro do playground
Você se lembra, fugas na manhã nos corredores do colégio
Você se lembra, a cereijeira florescendo no mercado da praça
Você se lembra, eu pensei que fosse confete em seu cabelo
Por falar nisso, eu não parti seu coração?
Por favor me perdoe, eu não quis partir seu coração
Me desculpe, eu nunca quis partir seu coração
Mas você quebrou o meu
Kayleigh, é muito tarde para dizer que sinto muito?
E Kayleigh, nós poderíamos ficar juntos denovo?
Eu só não posso seguir fingindo, que tudo acabou naturalmente
Kayleigh, oh eu nunca achei que sentiria sua falta
E Kayleigh, eu pensei que seríamos sempre amigos
Nós dissemos que nosso amor duraria para sempre
Então como chegou nesse amargo fim?
Você se lembra, descalços na grama com estrelas cadentes
Você se lembra, o amor no chão do parque belsize
Você se lembra, dançando de salto-alto na neve
Você se lembra, você nunca entendeu mas eu tive de ir
Por falar nisso, eu não parti seu coração?
Por favor me perdoe, eu não quis partir seu coração
Me desculpe, eu nunca quis partir seu coração
Mas você quebrou o meu
Kayleigh, eu só quero dizer que sinto muito
Mas Kayleigh, eu estou com medo de atender o telefone
Para ouvir que você achou um novo amante, para consertar nossa casa quebrada
Kayleigh, eu estou tentando escrever aquela canção de amor
Kayleigh, é mais importante pra mim, agora que você se foi
Talvez ela provará que estávamos certos, ou provará que eu estava errado
Janaina Pereira
Relembrei ontem uma música da minha adolescência, que eu sempre achei muito triste. Kayleigh, do Marillion, era a canção que me fazia chorar quando eu lembrava o quanto é doloroso magoar e ser magoado.
Veja o clip aqui.
Do you remember, chalk hearts melting on a playground wall
Do you remember, dawn escapes from moonwashed college halls
Do you remember, the cherry blossom in the market square
Do you remember, I thought it was confetti in our hair
By the way didn't I break your heart
Please excuse me I never meant to break your heart
So sorry I never meant to break your heart
But you broke mine
Kayleigh, is it too late to say I'm sorry?
And Kayleigh, could we get it together again
I just can't go on pretending that it came to a natural end
Kayleigh, oh I never thought I'd miss you
And Kayleigh, I thought that we'd always be friends
We said our love would last forever
So how did it come to this bitter end
Oh, oh yeah!
Do you remember, barefoot on the lawn with shooting stars
Do you remember, the loving on the floor in Belsize Park
Do you remember, dancing in stilettoes in the snow
Do you remember, you never understood I had to go
By the way, didn't I break your heart
Please excuse me, I never meant to break your heart
So sorry, I never meant to break your heart
But you broke mine
Kayleigh, I just wanna say I'm sorry
But Kayleigh, I'm too scared to pick up the phone
To hear you've found another lover to patch up our broken home
Kayleigh, I'm still trying to write that love song
Kayleigh, it's more important to me, now you're gone
Maybe it'll prove that we were right or ever prove that I was wrong
Kayleigh (tradução)
Você se lembra, corações de giz derretendo no muro do playground
Você se lembra, fugas na manhã nos corredores do colégio
Você se lembra, a cereijeira florescendo no mercado da praça
Você se lembra, eu pensei que fosse confete em seu cabelo
Por falar nisso, eu não parti seu coração?
Por favor me perdoe, eu não quis partir seu coração
Me desculpe, eu nunca quis partir seu coração
Mas você quebrou o meu
Kayleigh, é muito tarde para dizer que sinto muito?
E Kayleigh, nós poderíamos ficar juntos denovo?
Eu só não posso seguir fingindo, que tudo acabou naturalmente
Kayleigh, oh eu nunca achei que sentiria sua falta
E Kayleigh, eu pensei que seríamos sempre amigos
Nós dissemos que nosso amor duraria para sempre
Então como chegou nesse amargo fim?
Você se lembra, descalços na grama com estrelas cadentes
Você se lembra, o amor no chão do parque belsize
Você se lembra, dançando de salto-alto na neve
Você se lembra, você nunca entendeu mas eu tive de ir
Por falar nisso, eu não parti seu coração?
Por favor me perdoe, eu não quis partir seu coração
Me desculpe, eu nunca quis partir seu coração
Mas você quebrou o meu
Kayleigh, eu só quero dizer que sinto muito
Mas Kayleigh, eu estou com medo de atender o telefone
Para ouvir que você achou um novo amante, para consertar nossa casa quebrada
Kayleigh, eu estou tentando escrever aquela canção de amor
Kayleigh, é mais importante pra mim, agora que você se foi
Talvez ela provará que estávamos certos, ou provará que eu estava errado
Janaina Pereira
Terça-feira, Maio 12, 2009
Vai um cineminha aí?
Antes de ir ao cinema, passa no Cinemmarte.
E leia tudo sobre o cinema... nas palavras de quem ama cinema.
Janaina Pereira
Antes de ir ao cinema, passa no Cinemmarte.
E leia tudo sobre o cinema... nas palavras de quem ama cinema.
Janaina Pereira
Sábado, Maio 09, 2009
Mulherão x mulherzinha
Como dá trabalho ser mulherão. Não é fácil tomar conta da casa, pagar contas, trabalhar, estudar, lavar, passar, cozinhar, chorar, tomar cerveja, não ter barriga, sorrir, ser boa profissional, amiga, companheira, carinhosa, inteligente, bonita, simpática, fofa, fazer sexo com competência e ainda ser gostosa. Tem que ter muito jogo de cintura – e cintura fina, por favor.
Ser mulher, por si só, já é complexo. Ter que fazer unha, depilação, cuidar do cabelo, da pele e ainda menstruar não é para qualquer um. Se você nasceu homem pode ter certeza que jamais conseguiria ser mulher – por isso Deus quebrou seu galho e colocou pêlo nas suas costas e tudo mais que você tem. Porque, meu amigo, ser mulher é dose.
Mas já sabemos que há vários tipos de mulheres. Ou melhor, dois bem definidos:o mulherão e a mulherzinha. Mulherão é, como descrevi acima, a mulher que bate um bolão. Linda, leve e solta, dá conta do recado e não precisa de homem para mandar na sua vida – e nem para abrir a lata de azeitona. Mulherzinha... bem, é aquela ‘inha’ em todos os sentidos. Bonitinha, fofinha, gracinha, amiguinha, delicadinha, simpatiquinha, sensivelzinha... e chatinha.
Mulherzinha faz o que o homem quer e choraminga para que ele faça o que ela deseja. Ela está sempre por perto, cuidando dos outros e abrindo mão de tudo para agradar a todos. No trabalho, é o tipo ‘mãe’: faz de tudo um pouco, nem sempre com competência, mas o que importa é ser onipresente. Em casa é a mesma coisa: desdobra-se para agradar e coloca o namorado/marido num pedestal.
Ser mulherzinha está tão na moda que eu já cogitei a possibilidade de abandonar meu papel de ‘mulher forte e independente’ para virar... ‘inha’. Mas acho que não dá mais. Não combina comigo. Embora as pessoas olhem para minha cara e me acham tão... bonitinha, fofinha, delicadinha e queridinha... eu não sou nada disso. Nunca fui. E quem me conhece de verdade sabe que sou um poço de ‘ão’. E brava como um leão.
Janaina Pereira
Como dá trabalho ser mulherão. Não é fácil tomar conta da casa, pagar contas, trabalhar, estudar, lavar, passar, cozinhar, chorar, tomar cerveja, não ter barriga, sorrir, ser boa profissional, amiga, companheira, carinhosa, inteligente, bonita, simpática, fofa, fazer sexo com competência e ainda ser gostosa. Tem que ter muito jogo de cintura – e cintura fina, por favor.
Ser mulher, por si só, já é complexo. Ter que fazer unha, depilação, cuidar do cabelo, da pele e ainda menstruar não é para qualquer um. Se você nasceu homem pode ter certeza que jamais conseguiria ser mulher – por isso Deus quebrou seu galho e colocou pêlo nas suas costas e tudo mais que você tem. Porque, meu amigo, ser mulher é dose.
Mas já sabemos que há vários tipos de mulheres. Ou melhor, dois bem definidos:o mulherão e a mulherzinha. Mulherão é, como descrevi acima, a mulher que bate um bolão. Linda, leve e solta, dá conta do recado e não precisa de homem para mandar na sua vida – e nem para abrir a lata de azeitona. Mulherzinha... bem, é aquela ‘inha’ em todos os sentidos. Bonitinha, fofinha, gracinha, amiguinha, delicadinha, simpatiquinha, sensivelzinha... e chatinha.
Mulherzinha faz o que o homem quer e choraminga para que ele faça o que ela deseja. Ela está sempre por perto, cuidando dos outros e abrindo mão de tudo para agradar a todos. No trabalho, é o tipo ‘mãe’: faz de tudo um pouco, nem sempre com competência, mas o que importa é ser onipresente. Em casa é a mesma coisa: desdobra-se para agradar e coloca o namorado/marido num pedestal.
Ser mulherzinha está tão na moda que eu já cogitei a possibilidade de abandonar meu papel de ‘mulher forte e independente’ para virar... ‘inha’. Mas acho que não dá mais. Não combina comigo. Embora as pessoas olhem para minha cara e me acham tão... bonitinha, fofinha, delicadinha e queridinha... eu não sou nada disso. Nunca fui. E quem me conhece de verdade sabe que sou um poço de ‘ão’. E brava como um leão.
Janaina Pereira