Sábado, Outubro 31, 2009

Insônia


Que inferno. Estou tensa, cansada, preocupada. E com insônia. Depois de passar uma semana dormindo às 5h da manhã - porque fico trabalhando de madrugada - agora não consigo mais dormir num horário decente.

Estou podre, só o pó. E nada de sono. Meu estômago dói. Os olhos ardem. O corpo pede ajuda. E eu não consigo dormir.

Ah, eu tomei café. Algo que nunca faço. Ferrou. Não vou dormir.



Janaina Pereira

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

This is it


São Paulo, 23 horas, cinema Kinoplex Itaim. Duas salas reservadas para a pré-estreia de This is it, o filme que mostra os ensaios para aquele que seria o último show do Rei do Pop.

O silêncio é total na sala de cinema. Não há a mastigação de pipoca, canudinhos de refrigerante fazendo barulhinhos, suspiros, nada. Parece um minuto de silêncio pelo Rei. Na tela, a la abertura de Star Wars, explica-se que as cenas a seguir são imagens dos bastidores e dos ensaios de Jackson para a turnê de 50 shows em Londres.

Dedicado aos fãs, This is it já mostra, na primeira cena, que foi feito para chorar. A imagem de Michael, magérrimo mas sem o aspecto sombrio tão alardeado, dá arrepios. O Rei está vivo, pelo menos por 112 minutos de projeção.

O filme é uma colcha de retalhos que mistura imagens de Michael ensaiando com depoimentos de sua equipe elogiando o astro. Muitas vezes o que ouvimos são músicas gravadas, já que nos ensaios Michael poupa a voz. Mas quando canta… céus, o que é aquilo? A voz falha mas de repente lá vem ele fazendo dueto com a backing vocal em I just can´t stop loving you … e ele mostra que ainda está em forma.

O show seria um estrondo, isso fica bem claro. Muitos efeitos especiais, banda e dançarinos afiados, tudo da melhor qualidade. Michael é perfeccionista, dedicado, presente. E é curioso dizer que ele, hoje ausente, estava tão presente nos ensaios. É emocionante ver sua dedicação para que as músicas tenham os mesmos arranjos dos discos. Às vezes ele cansa, não acompanha o ritmo de suas canções mas não perde, jamais, o rebolado.

Lá pelas tantas Michael canta I’ll be there e fala que, naquele momento do show, citará o nome dos irmãos e pais. Fala que os ama. Pausa para a família Jackson mostrar que o rebento os adora. Então tá, a gente finge que acredita.

O trio de músicas eternas fica para o fim. E a sequência de Thriller, Beat it e Billie Jean é de pular da cadeira e dançar sem parar. Em Billie Jean, particularmente, ele mostra grande euforia. É minha música preferida dele e o meu momento de emocionação. Ai eu paro e penso: eu nunca vou ver isso ao vivo, ele morreu. Se o filme era para causar essa comoção nos fãs, conseguiu.

Tudo acaba com Man in the mirror, talvez a mais bela letra de MJ – como ele é chamado por sua trupe o tempo todo. A imagem do Rei do Pop, de braços abertos e a frase ‘Love lives forever’ é piegas mas funciona: lágrimas rolam entre o público. Aplausos não. Injusto: Michael merece todo respeito, embora o que fizeram com a imagem dele – velório-show e filme-retalho-show, não seja realmente justo.

This is it não é para qualquer um. É para quem admira o cara que revolucionou a música e se tormou uma das figuras mais importantes do mundo. Eu gostei sim, embora tenha saído do cinema com a tristeza e a frustração de que nunca mais vou vê-lo ao vivo e a cores.

O Rei está morto mas sua música, ainda bem, está mais viva do que nunca.

É isso. Salve, MJ!

* This is it entra em cartaz mundialmente nesta quarta, 28.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

30 dias sem ele



E eu fiz o possível para não sentir saudades. Não senti. O coração não palpitou, não tive tempo para isso. Não sei se acabou, mas não é mais como era antes.

30 dias sem ele foi o suficiente para eu perceber que é melhor deixar para trás o que não se pode empurrar para a frente.

Odeio homem indeciso.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Vai começar tudo de novo


Voltei a SP para cobrir a Mostra Internacional de Cinema. Nada como o pique grandioso do Rio, mas algo honesto e digno. Não senti saudades da cidade, só de algumas pessoas.

Mas estou cansada, muito cansada. Vamos ver até quando aguento essa maratona.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Viajo porque te amo, volto porque preciso



Um dos melhores títulos de filme foi o nacional Viajo porque preciso, volto porque te amo . Contado de forma singular, do ponto de vista do narrador, que é o protagonista que só ouvimos a voz, e não vemos o rosto, o filme explica, lá pelo meio, o porquê do título.

No meu caso, a situação é ao contrário. Eu viajo porque amo e volto porque preciso. Tá na cara que eu amo o Rio. E quando me perguntam se gosto de São Paulo a resposta é a mesma: 'me acostumei'. Não desgosto de Sampa, pelo contrário. A cidade tem mil defeitos, mas é um lugar de oportunidades. Apesar de tudo, São Paulo nunca desistiu de mim, sempre me deu chance de trabalhar e crescer profissionalmente. Isso é o que importa, não vou viver de brisa.

Outro dia, almoçando com um amigo carioca, ele perguntou como era minha vida em São Paulo. Respondi que os dois primeiros anos foram muito difíceis. E que ainda é complicado. Vejam bem, se passaram quase nove anos e o meu discurso é o mesmo. São Paulo ainda me causa enjoo às vezes. Tanta picuinha, tanta disputa, tanta ganância... isso não é para mim. Estou lá para trabalhar e fim de papo.

E onde o Rio fica nisso tudo? Hoje eu nem sinto saudades da família e dos amigos... as pessoas estarão sempre lá, a gente se fala ou se vê de alguma forma. Eu sinto falta da cidade. Da praia, dos dias de sol, dos lugares que amo. Das minhas referências de vida. Não tenho referências em SP. Lá eu sou mais uma na multidão, sozinha, perdida, sempre correndo. Não tenho tempo para nada, vivo cansada, apenas sobrevivo.

Ai vem a turma do 'volta para o Rio'. Ok, para fazer o que? Ficar dsempregada como sempre fiquei aqui? Não há mercado de trabalho e, desculpem, eu não me acostumo mais a trabalhar no Rio. As coisas não funcionam. É tudo muito lindo, mas... eu não vou viver na praia e no cinema. Há mais coisas em jogo, minha carreira, por exemplo. Eu não estou nesta vida a passeio. Eu já passei dos 30, não existem ilusões: é jogar o jogo e vencer.

Ficar uma temporada no Rio como fiquei agora é um sonho. E sim, aqui eu sou realmente feliz. Mas, ultimamente, ser feliz não tem sido importante. As portas que se abrem e as oportunidades que surgem não são aqui. Só quem sai do umbigo carioca para o mundo sabe o que estou dizendo. Há pessoas que valorizam a felicidade e outras que valorizam a realização de alguns objetivos de vida. Eu valorizo ser útil e para mim trabalhar é de muita utilidade.

Viajo para o Rio porque amo minha cidade. Volto para São Paulo porque preciso trabalhar. A vida, definitivamente, não é como a gente quer. Se Deus perguntasse 'e aí, quer nascer paulsita rica?', responderia 'não, quero ser carioca de novo, desde que você me dê a chance de morar em São Paulo outra vez'.

Sempre serei dividida, sem identidade, com sotaque para uns, sem sotaque para outros. Mas eu sou assim e não me sinto mal por isso. E, pensando bem, o título do filme pode fazer sentido sim.

Viajo para São Paulo porque preciso, volto para o Rio porque te amo. Porque eu sempre volto. Eu vou, mas eu sempre volto.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Saiam da toca, meninos


Conversando com meu amigo Léo Francisco, cheguei a conclusão que o mundo acabou. Ele argumentou que o homem sai de casa mais tarde que a mulher, não gosta de morar sozinho e depois de grudar na barra da saia da mãe, gruda na da esposa. Pronto, o mundo realmente acabou.

De fato, os homens estão cada vez piores. Lerdos, bananas, molengas. Affe. Morar com os pais, depois dos 30, não dá. Sair de casa para casar, pior. Tem que morar sozinho, mesmo que por pouco tempo. Tem que viajar sozinho. Tem que se virar sozinho - isso é impossível, eles sempre arrumam uma empregada.

Os homens hoje em dia são cada vez mais dependentes. Maldita hora que queimamos aqueles sutiãs. Para que? Hoje as mulheres estão bem sozinhas, livres, leves e soltas. Não precisam casar para sair de casa, se sustentam, fazem o que querem. Eu adoro odiar arrumar casa, lavar roupa, louça, fazer comida. Adoro odiar ser dona de casa. Adoro porque não tenho que dar satisfação para ninguém do que faço ou deixo de fazer. E, confesso, eu deixo de fazer mesmo.

A sensação de liberdade que uma mulher tem é única, coisa que um homem jamais vai sentir. Porque eles sempre serão presos à uma barra de saia. Mas a culpa disso tudo é das mulheres, das mães, que criaram eles assim, incapazes de decidirem seus destinos sozinhos.

Gostaria que os homens dessem um grito de independência e fossem à luta. Nem vão quebrar a unha se lavarem a louça. Já não aprenderam a cozinhar? Então vão em frente, rapazes. Força. Vocês conseguem. Não sejam palermas, por favor. Mulher gosta de homem de atitude. E quem não consegue (con)viver sozinho, não consegue (con)viver com ninguém.


Janaina Pereira

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Romaria

Elis Regina

Composição: Renato Teixeira

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido
Em pensamentos
Sobre o meu cavalo

É de laço e de nó
De jibeira o jiló
Dessa vida
Cumprida a só

Sou caipira, pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos
Perderam-se na vida
À custa de aventuras

Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Prá pedir de
Romaria e prece
Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar
Meu olhar

Sou caipira, pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Campanha: Jana fica no Rio!

por Wanderson Awlis


Campanha: Jana, fica!

Vamos fazer um abaixo assinado online e uma passeata na orla em frente ao Copacabana Palace (isso é tendência). HuUAhUAhuHAuHA ¬ Vou passar no retiro dos Artistas. Aposto que muitos vão assinar. HAuAHUAhuHAU

Só assim a Paloma vai poder usar o tão sonhado chapéu Panamá dela debaixo de um sol de 35º. :P HUAHUAhuHAUHAU ¬ E depois vocês podem partir para um choppinho e eu para a uma mirinda (vou dirigir). HAuahUAUahuA

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

A credencial nossa de cada dia


Sou jornalista e tenho o direito de pedir credenciamento para acompanhar eventos da área que eu cubro como, por exemplo, o Festival do Rio. Claro que há o direito dos organizadores do evento negarem. E eu tenho o direito de não cobrir o que me foi negado.

No Festival do Rio tive tratamento de primeira.Fui credenciada sem estresse, tive acesso a todos os grandes cineastas presentes, e até o Tarantino que não veio, eu ia entrevistar. E não consegui nada porque esse ou aquele me ajudou, é fruto do meu trabalho, de correr atrás, de ir em busca do que quero.

Fico indignada com o pessoal que consegue credencial e vai dar um rolê pela cidade, não vê os filmes, e ainda fala mal - dos filmes e do evento. Cada um faz o que quer da vida, mas tanta gente querendo... e quem consegue não dá valor.

Hoje,último dia do Fest Rio, completo 45 filmes em 15 dias. Podia ter visto mais se tivesse melhor localizada, mas fiz muito para quem estava em sua primeira cobertura. Tenho orgulho de não ser nada e ter feito tanto, ao contrário de gente que falou tanto e não fez nada.

Se meu trabalho não é digno para cobrir a Mostra em SP, paciência. Cada um escolhe o jornalista que merece para estar presente em seu evento. Valeu Festival do Rio. Obrigada pelo carinho, hospitalidade e força. Foi um prazer trabalhar aqui.


Janaina Pereira

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Redenção


Faltam 48 horas para acabar o Festival do Rio e estou só o pó. Cansada é pouco para meu estado de espírito. Eu estou fisicamente esgotada. Poderia ter feito mais coisas se tivesse mais dinheiro, mais apoio, mais planejamento. Mas acho que, para primeira cobertura, eu até me sai bem.

Já que a hora de partir está chegando - e eu vou me sentir muito triste quando tudo isso acabar - quero deixar agradecimentos públicos. Primeiramente, para o pessoal da organização. A Lilíam, assessora que cuida dos jornalistas, sempre solícita e tranquila. Ao pessoal do Pavilhão do Festival: Léo, Paulo, Françoise e ao Flávio, que me arrumaram computador, entrevistas, telefones e toda estrutura para eu fazer minahs reportagens. Vocês são 10. A minha amiga Luiza, a cinéfila-cobaia das minhas sessões-testes. Aos meus companheiros de sessões, os jornalistas Paloma Ornelas e Wanderson Awlis, pois sem eles não teria a menor graça esse Festival. E, claro, aos anônimos e desconhecidos que eu conheci nestes dias, gente que virou "amigo de Festival".

Aproveito e deixo um abraço ao pessoal do Odeon e do Estação que me tratou com dignidade respeitando minha credencial e ao pessoal do Espaço de Cinema... mais cordialidade da próxima vez! Eu estou ali trabalhando, não vou para ver filme de graça, ok?

Talvez eu nunca mais tenha outra oportunidade como essa, talvez isso seja apenas o começo... sei lá. Não tenho como prever o futuro. O presente, no entanto, tá assim: o Festival do Rio foi a minha redenção. Nenhuma pessoa neste planeta é mais feliz do que eu hoje.

Eu vou sentir saudades, especialmente de chegar em casa depois de 14 horas de trabalho e ter comida pronta e uma garrafa de 300 ml de água de coco. Nunca tinha vindo ao Rio a trabalho e agora vai ser muito complicado voltar para SP. Não sinto saudades de lá, nem da minha casa, nem da minha vida - só de algumas pessoas.

Por mim, todo dia seria dia de Festival do Rio. Mas a vida continua. Vou viver o meu momento por mais 48 horas. E depois... bem, depois a gente vê no que dá.


Janaina Pereira

Sábado, Outubro 03, 2009

Rio 2016



A Olimpíada é nossa. Não me venham com esse papo que o Brasil ganhou o direito de sediar os Jogos. Uma ova. A Copa do Mundo é brasileira, mas a Olimpíada é carioca, tem sotaque sim senhor.

Quero meus direitos, sou carioca e nem venham tentar tirar isso de mim. Estava dentro do Cine Odeon, vendo Natimorto - e a tentativa suicida do Mutarelli de ser ator - quando ouvi os gritos na Cinelândia. Imediatamente comentei com meu amigo Wanderson - o Rio ganhou!

Eu não levava muita fé, sempre apostei em Madri, jamais em Chicago. Mas como não moro na cidade, não participei da campanha - quando rolou a Rio 2004 eu era defensora ferrenha, agora faço minhas ressalvas, sei que vamos pagar a conta desse prejuízo mas, já que ganhou, vamos comemorar. Não sou do contra, apenas realista, mas meu amor pelo Rio está acima de tudo e de todos que ousam dizer qeu não tenho mais sotaque.

Por falar em sotaque, os paulistas convidados para o Festival do Rio debandaram para a praia de Copacabana para ver o anúncio da escolha da sede. Fiquei pasma, mas entendo porque eles nunca vão ter o privilégio de serem escolhidos como sede olimpica - e se algum dia forem, não vão comemorar na praia, claro.

Então é isso, Rio 2016, lá vamos nós. Com sotaque de carioca - da gema, marrento e matando o Brasil inteiro de inveja.

Sorry.


Janaina Pereira

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Enfim, Almodóvar

Ontem foi um dia cheio de surpresas no Festival do Rio. Pelo menos para mim. Era o dia que mais esperei, afinal, ia ver Almodóvar. Mas, antes do meu cineasta preferido, vi Como desenhar círculos perfeitos, um filme português muito, muito ruim. Odiei. A história era pesada – irmão apaixonado por irmã – mas até aí, eu já sabia que ia rolar um clima tenso. Só que a narrativa lenta, devagar quase parando, faz o filme ser um tédio.

Imaginem um filme que começa com uma cena de quase 10 minutos de dois irmãos aprendendo a beijar no espelho. Precisa ser uma cena tão longa assim? E que tal o irmão vendo a irmã com um cara e tendo uma crise: ele sai correndo pela rua, na chuva, e corre, corre, corre por uns cinco minutos. Para que tudo isso? A cena do incesto, então, nem se fala. Durou quase 15 minutos. Um exagero. No cinema, como na vida, menos é mais. Mas não posso reclamar: foi meu primeiro filme realmente ruim neste Festival.

Na sequência vi Distante nós vamos, do Sam Mendes. Filme legal, sem grandes pretensões, mostrando Mendes com sua hsitória de praxe – o casal americano de classe média – mas em versão doce. Bacana ele estar se reiventando. Mas nada se compara ao susto que levei ao ver Abraços Partidos, novo longa de Pedro Almodóvar estrelado pela musa Penélope Cruz (foto da dupla no lançamento em Festival de Cannes).

O diretor continua com seu jeitinho especial de ver o mundo e, especialmente, as mulheres. Mas algo mudou em Almodóvar. Está mais maduro, sereno, cicatrizando feridas sem tratar de assuntos polêmicos com sua habitual delicadeza. Fiquei chocada, quando o filme acabou me senti vazia, tentando entender porque a cena que eu jurava que ia acontecer… não aconteceu.

E Penélope Cruz? Os meninos que me perdoem, mas eu acho a atriz com cara de fiunha. Porém, tenho que admitir, é incrível como Almodóvar a transforma. Pelas lentes do diretor, ela vira mulherão, linda, absoluta, grandiosa. Penélope está deslumbrante. Sua personagem é fascinante e, tá, vou admitir, eu também queria ser uma personagem de Almodóvar: mulheres apaixonantes e apaixonadas.

Este Festival está marcado por grandes diretores mudando o rumo de suas carreiras, fazendo coisas diferentes sem deixar a essência que os marcou de lado. Almodóvar, mais uma vez, é um exemplo que a gente pode continuar sendo sempre o mesmo, mas acrescentando um olhar novo para a vida.


Janaina Pereira

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Olha só o que o Tarantino está perdendo



O dia de hoje no Festival do Rio começou com a notícia do cancelamento da vinda de Quentin Tarantino à cidade. Uma pena. O diretor perderá a chance de participar de um dos mais importantes festivais de cinema, de conhecer uma bela cidade e ainda de se sentir realmente popular – Bastardos Inglórios, seu novo longa, é o filme com ingressos mais vendidos do Festival do Rio 2009.

Duvido que, em qualquer outro lugar do mundo o Tarantino fosse ser recebido como aqui. Duvido que Bastardos teve, em qualquer parte do planeta, uma pré-estreia como teria aqui, com um bando de gente gritando e acenando para ele. O cineasta perdeu a única chance que teve nesta vida de se sentir o Brad Pitt. Pronto, falei.

Tarantino não vem, mas o argentino Juan José Campanella está chegando para ver o filme que eu aponto, desde já, como um dos melhores do Festival – e o melhor até agora: O segredo dos seus olhos. Vou começar pelo fim: o longa foi aplaudido hoje na sessão que eu assisti no Espaço de Cinema 1. E aqui a galera não aplaude qualquer coisa não. A história de um funcionário do Tribunal de Justiça que entra a fundo na investigação de um assassinato e, 25 anos depois, tenta retomar sua vida ao mesmo tempo em que escreve um romance, é daquelas que arrebatam.

O filme é maravilhoso, graças ao roteiro inteligente – baseado em uma novela do mesmo nome e adaptado pelo próprio diretor -, a direção precisa de Campanella e a atuação brilhante de Ricardo Darín. Para quem não se lembra, Darín e Campanella já trabalharam antes no sucesso O Filho da Noiva (2001). Em O segredo dos seus olhos eles mostram total sintonia. Se este longa não faz parte da sua programação, abra um espaço na agenda. Ele merece.

O outro filme do meu dia foi Hair Índia, documentário sobre a indústria do cabelo indiana. Sim, é isto mesmo: enquanto uns indianos raspam a cabeça como rito de passagem e em busca de apoio espiritual para melhorar de vida, o cabelo puro – sem tintura – deles roda o mundo para se transformar em caros apliques, que são colocados em gloriosas cabeças de indianas mais afortunadas.

Bizarro se não fosse cruel ver o misticismo de um povo se transformar em mais um produto da globalização. É o tipo de coisa que a gente não vê na novela das nove. Ainda bem que tem o Festival do Rio para nos contar a história. Será que o Tarantino sabe disso?


Janaina Pereira

Domingo, Setembro 27, 2009

Trocando a praia pelo cinema


Praia? Não!!! Hoje eu fui ao cinema. O que fazer com uma credencial na mão e mais de 300 filmes em cartaz? Correr para ver o máximo que puder. Fiquei mais de 12 horas em função do Festival do Rio e consegui assistir a algumas das principais produções que estão por aqui – e ainda esbarrei em Jeanne Moreau almoçando no Odeon, e Chico Diaz, Ney Latorraca, Monica Torres e outros atores correndo para ver seus filmes.

Não dá para fazer crítica de tudo entãou vou contar um pouquinho de cada um, ok?

Viajo porque preciso, Volto porque te amo tem um dos títulos mais significativos que já vi. E o filme também tem uma marca pessoal e intransferível. Os aclamados Marcelo Gomes e Karin Ainouz conseguem uma narrativa ímpar com a história do geólogo José Renato, enviado para realizar uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar todo o Sertão, região semi-desértica, isolada, situada no Nordeste do Brasil.

Mas onde está o protagonista no filme? A gente não vê. Ele está lá, com sua voz marcante, mas seu rosto fica na imaginação de cada um. O que fica claro são os sentimentos do personagem: a solidão e a mágoa se confundem com a paisagem árida pela qual ele passa. Viajo porque preciso, Volto porque te amo é uma viagem original e inesquecível.

Eu matei minha mãe, o filme mais comentado – até agora – do Festival, é o primeiro longa do jovem canadense Xavier Dolan como diretor. Ele é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo aparecido no controvertido terror Mártires (2008), de Pascal Laugier. Dolan, que tem 20 anos, também estrela e é autor do roteiro, escrito quanto tinha a idade do protagonista: 17 anos.

Sua história acompanha Hubert, um adolescente que despreza tudo em sua mãe. Confuso, ele vaga por uma adolescência ao mesmo tempo marginal e típica, repleta de descobertas artísticas, experiências ilícitas, amizades e sexo. Filme totalmente cult e forte candidato a ‘queridinho’ do público.

Meio documentário, meio ficção, o novo trabalho do premiado diretor Jia Zhang-Ke (Leão de Ouro em Veneza com Em Busca da Vida, 2006) 24 City é uma história emocionante e intensa, que mostra as mudanças causadas por um complexo de apartamentos de luxo que ocupará o lugar da fábrica estatal 420. Seus dormitórios populares, que existiam há 50 anos na província de Chengdu, na China, não existirão mais. Para apresentar o que isso causou à população local, acompanhamos as histórias ficcionalizadas de três mulheres cujas existências foram marcadas pelo trabalho na fábrica.

Paralelamente, cinco homens que fizeram parte da vida destas mulheres dão seus depoimentos para a câmera. São três gerações diferentes, marcadas pelo fim do emprego e da moradia, e as memórias destes trabalhadores confunde-se aos poucos com a história da China. Um filme interessante e com narrativa peculiar.

Embarque Imediato, do diretor Allan Fiterman – brasileiro radicado nos EUA – aborda a história do jovem Wagner, que decide emigrar ilegalmente para Nova York. No caminho para realizar seu sonho aparece Justina, mulher madura que já viveu fora do país. Amorosa e paciente, ela continua esperando uma vida melhor, enquanto sofre com seu caso mal resolvido com Fulano, agente de modelos gordinhas. Juntos, Wagner e Justina vão descobrir que a vida tem muito a oferecer, independente do avião que tomarem. O filme diverte e cativa e Marília Pêra, Jonathan Haagensen e José Wilker, o trio protagonista, estão arrebatadores.

O melhor foi assistir a Embarque Imediato ao lado da Marília Pêra. Isso, realmente, não tem preço.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Começou


Nem vou comentar a série 'mau olhado' que se instalou nas últimas horas - minhas primeiras do Festival do Rio. Uma uruca sem fim, um azedume no ar, um pavão que se acha a última cocada da Festa Junina... é melhor deixar para lá, gente deste nível não merece crédito.

A melhor coisa da abertura do Fest Rio - além do Rodrigo Santoro, claro - foi o ótimo filme do Ang Lee, Aconteceu em Woodstock. Gostei muito da história, do elenco e, especialmente, da direção de Lee, sempre me surpreendendo. É hyppie e é cult, é Ang Lee na veia!!!



Janaina Pereira

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Festival do Rio


Estou indo para o Rio cobrir o Festival Internacional de Cinema. Depois de meses de expectativa para tornar isso possível, consegui que meu projeto de pool de sites desse certo e lá vou eu fazer reportagens no Festival.

Estou ansiosa, mas muito feliz, especialmente porque é tudo muito pessoal. A ideia é minha, o projeto é meu, a correria para que tudo desse certo é única e exclusivamente minha. Mas claro que todo esforço pessoal precisa de um empurrãozinho, e meu mais leal amigo cabineiro, Léo, foi o responsável para que o empurrão fosse para a gente subir juntos.

É por isso que, quando o barco estiver afundando, ele é o primeiro que vou salvar. Como não sei nadar, vamos morrer afogados!!! (Piadinha interna nossa, que eu adoro.)

Então meus leitores, vamos acompanhar o dia-a-dia do Festival juntos?

Leiam-me

http://pipocacombo.virgula.uol.com.br/festivaldorio/



Janaina Pereira

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

A vida não é filme


A trilha sonora da minha vida é repleta de músicas dos Paralamas do Sucesso. A primeira vez que ouvi Vital e sua moto gostei daquele som meio inusitado para um suposto rock. Eu tinha sete anos. Titãs, Legião e Barão chegaram na minha vida muito mais tarde. E, embora admire Cazuza e Renato Russo como compositores, sempre fui apaixonada pelas letras do Herbert Vianna.

Meus amigos cariocas sabem da paixão que eu sinto pelo Paralamas. Meu primeiro show nacional, a banda que mais vi ao vivo, a que tenho mais CDs, a que sei todas as músicas. Acho o Herbert um cantor ruim, mas um ótimo compositor. Só ele e Chico conseguem escrever bem para as mulheres - e, agora, o Nando Reis também sabe como fazer isso.

Herbert sempre foi muito bem interpretado por cantoras. Todas que gravaram ele transformaram as aparentes banalidades em pequenas pérolas. O rock divertido Meu Erro tem outra bossa na versão acústica com Zizi Possi. Um amor, um lugar, gravada pela Fernanda Abreu, tem uma letra inspiradíssima. E por aí vai.

Adoro o Herbert porque ele sempre foi um patinho feio e cantava suas frustrações. A melhor música de fim de relacionamento é dele.

"Se tudo tem que terminar assim
que pelo menos seja até o fim
pra gente nunca mais ter que terminar"
(Caleidoscópio)

A melhor música de mudança de vida é dele.

"Eu hoje joguei tanta coisa fora
eu vi o meu passado passar por mim
cartas e fotografias
gente que foi embora
e a casa fica bem melhor assim"
(Tendo a Lua)

A melhor música de 'ele(a) não está a fim de você' é dele.

"Há algo errado no paraíso
É muito mais que contradição
Sou eu caindo do precipício
Você passando num avião
Você olhou, fez que não me viu
Foi como se eu não estivesse ali
Desligou a luz, deitou, dormiu
Nem pensou em se divertir
Vai ver que a confusão, fui eu quem fiz fui eu"
(Fui eu)


E a música que reflete perfeitamente a dor da traição também é dele.

"Eu te procurei pra me confessar
que eu chorava de amor
e não porque eu sofria
mas você chegou, já era dia
e não estava sozinha
eu tive fora uns dias
eu te odiei uns dias
eu quis te matar"
(Uns dias)

Poderia enumerar todas as músicas dele que fazem parte dos meus 35 anos de vida. Mas para que? Ontem eu vi Herbert de Perto, o ótimo documentário sobre a vida do meu compositor preferido. A crítica oficial eu deixo para depois, porque agora tudo que eu preciso é acalmar meu coração. Péssimo ter que me conter na cadeira e só balançar os pés quando tocou Óculos, Alagados e Uma brasileira. Pior foi disfarçar as lágrimas quando - assim como na música - eu vi o meu passado passar por mim.

O dia do acidente do Herbert foi o dia em que vim morar em São Paulo. Luiza, minha amiga querida, me ligou dizendo que ele ia morrer. E eu disse a frase que ficou marcada e virou minha premunição particular. "Ele não vai morrer e eu ainda vou ver um show dos Paralamas em São Paulo."

Herbert estava praticamente morto, eu não tinha emprego nem casa em São Paulo. A verdade é que ninguém achava que a gente ia sobreviver. Exatos 22 meses depois, eu e ele estávamos lá em São Paulo. Ele, no palco, e eu na plateia. Liguei para a Luiza e falei: "Não te disse que ia ver o show dos Paralamas em São Paulo?"

Eu sobrevivi - e sobrevivo a cada dia - e ele, bem, ele está aí, paraplégico, mas vivo. Cantando, compondo, criando os filhos. Impossível eu não chorar quando vi as cenas do acidente e os jornais que mostraram, ao longo de meses, sua recuperação lenta e sofrida. Impossível eu não lembrar de quantas vezes eu caminhei pelas ruas de São Paulo aos prantos, sozinha, sem saber se eu conseguiria sobreviver ao dia seguinte.

Meu coração ficou apertado ao final do documentário. Porque eu sei que a gente supera toda dor calado, mas a dor volta e meia assombra. Aí você tem vontade de gritar mas não pode porque a vida continua e só nos resta viver da melhor forma possível.

Herbert Vianna é meu compositor preferido porque, de alguma forma, eu me encaixo perfeitamente na história do patinho feio que, não importa em que lugar, nem como, nem porque, sempre consegue sobreviver.

A vida não é filme e você não entendeu. Mas eu já saquei isso faz tempo. E o abençoado Herbert também.


Janaina Pereira

Terça-feira, Setembro 15, 2009

The time of my life


Patrick Swayze se foi. Um dos atores-galãs da minha geração, ele marcou minha adolescência com o clássico filme de 'verão e dança' Dirty Dancing (1987). Eu adorava o filme, a trilha e, claro, a coreografia arrebatadora.

Depois veio o arrasa-quarteirão Ghost (1990) e a música mais tocada daquela ano, Unchained Melody. Filme lindo, história de amor bacana, Whoopi maravilhosa, Patrick e Demi perfeitos... e a frase que marcou o cinema. "O amor que você sente, você levará por toda vida." Ai, gente, desculpem, é piegas, mas é demais.

Patrick ainda brilhou em Caçadores de Emoção, com Keanu Reeves (antes de Matrix!) e no divertido Para Wang Foo, adaptação americana para o cult GLS australiano Priscilla, a Rainha do Deserto. Patrick de travesti estava di-vi-no. Arrasou.

O ator tinha câncer, doença cruel que o levou tão cedo, com apenas 57 anos. Talvez para os menores de 25 ele não seja uma lembrança forte, mas para mim, que cantou e dançou ao som de The time of my life, ele era um dos atores mais queridos que já vi no cinema.


Janaina Pereira

Sábado, Setembro 12, 2009

Ansiedade


Sou extremamente ansiosa. São 16 horas de sábado, tenho uma matéria para escrever, mil coisas para fazer, mas meu coração está disparado. Estou com saudades de quem sumiu, estou nervosa pela decisões a tomar, estou ansiosa pelas coisas que vão acontecer. E o chocolate acabou.

Não quero baladas, não quero conversa, não quero cerveja. Quero que o tempo passe rápido e as coisas aconteçam agora.

Não aguento mais esperar.



Janaina Pereira

Domingo, Setembro 06, 2009

I´m free!

Passeando outro dia na Paulista, 32º, noite a dentro, tomando sorvete, senti uma sensação muito boa, que há tempos não sabia que existia. Liberdade. Fazer o que quero, a hora que quero, como eu quero, não tem preço.

Veio a minha cabeça uma música do Soup Dragons, que eu adorava na adolescência e até hoje toca nas baladinhas - ou night, como preferirem. O clip era super psicodélico, e a letra da música resume o que sinto hoje.

Vejam o clip, ouçam a música, cantem com o som no volume máximo... e espero que algum dia vocês descubram como é bom ser realmente livre.

I´M FREE
Soup Dragons

Don't be afraid of your freedom
Freedom

I'm free to do what I want any old time
I said I'm free to do what I want any old time

I say love me, hold me
Love me, hold me
'Cause I'm free to do what I want any old time
And I'm free to be who I choose any old time

I say love me, hold me
Love me, hold me
'Cause I'm free to do what I want
To be what I want any old time
And I'm free to be who I choose
To get my booze any old time

I say love me (love me forever)
Hold me (and love will never die)
Love me, hold me
'Cause I'm free

Do you hear what I say
These are the words me hear from my grandaddy, come on
These are the words me hear from my grandaddy
Who say nothing in this world like when a man know he free
Free from the lackamissa (?)
Free from the dee (?)
Free like a butterfly
Free like a bee
These are the words me hear from my grandaddy
Said it's nice to be free, nice to be free
Free from the lackamissa (?)
Free from the dee (?)
Don't be afraid of your freedom

'Cause I'm free to do what I want any old time (I'm a new creation)
'Cause I'm free to do what I want any old time
(Don't be afraid of your freedom)
'Cause I'm free to do what I want
To be what I want any old time
I said I'm free to be who I choose
To get my booze any old time



Janaina Pereira

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Imperdível


Up é um dos melhores filmes do ano, disparado. Assisti com uma gripe infernal, depois de passar uma noite em claro, sem voz, nariz entupido. E o filme me impressionou muito. Ou seja, é bom mesmo, é lindo, é fofo demais.

Adorei por ser em 3D, amei a dublagem, amei a história, a animação; tudo é perfeito, redondo, com emoção na dose certa. Não concordo com quem diz que a Pixar está ficando muito adulta. E a morte da mãe de Bambi? Traumatizou uma geração, mas mudou a história dos infantis.

A criança tem que aprender a lidar com perda, isso é necessário. E Up tem isso. É singelo e verdadeiro, uma gracinha de animação.

Sou uma pessoa de adjetivos, e para Up eu tenho os melhores. Amei.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Feliz idade


Ultimamente tenho ouvido a mesma coisa das pessoas - "nossa, como você está bem", "você está mais feliz", "você está leve", "você está mais bonita". O discurso está repetitivo e me pergunto: o que aconteceu comigo?

É, eu estou bem. Eu sei que não deveria, mas estou. Não deveria porque vivo na incerteza do amanhã, sem saber se terei trabalho para o mês que vem, mas, quem diria, eu vivo bem com isso. Porque finalmente estou conseguindo viver um dia de cada vez.

A grande maioria das pessoas acha péssimo trabalhar em casa. Os motivos são vários: não ter horário gera indisciplina, não ter com quem conversar gera isolamento, não ter trabalho fixo gera insegurança. Ok. Mas desde quando emprego fixo é seguro? Desde quando conviver com pessoas que você não gosta - sim, porque é muito difícil ter um ambiente de trabalho em que todos se dão bem - é bacana? E desde quando pegar metrô lotado é mais legal do que fazer o meu horário sem rush?

Agora eu faço o que não fazia até meses atrás: eu vivo. Eu tenho disposição para sair, para rever meus amigos, para tomar chopp à noite, para ver TV a madrugada inteira, para dormir quando eu tenho vontade e, especialmente, para viajar. Eu faço o que eu quero e isso é muito bom. E, sim, continuo uma boa profissional, continuo fazendo meu trabalho bem feito e no prazo, continuo melhorando a cada dia.

Eu passei 16 anos da minha vida aceitando que o mundo corporativo fizesse o que bem entendesse comigo. Agora é a hora da virada: eu faço o que eu quero com o mundo corporativo. Eu estou mais feliz - e, dizem, mais bonita - porque finalmente sou dona do meu nariz arrebitado. E estou mais leve porque não carrego mais o mundo nas minhas costas.

Eu não nasci para a reclusão, nem para a opressão. Eu sou livre. E o preço da minha liberdade talvez seja não ter 13º salário, mas tirar férias quando eu quiser. Se o mundo não está preparado para isso, se as pessoas ainda acham que ter emprego é a melhor coisa do mundo e vivem obcecadas atrás de um trabalho que sustente suas vidas medíocres, eu só lamento.

Eu não nasci para este mundo. É por isso que sou mais feliz agora, porque eu vivo no meu mundo de oportunidades, e não aceito mais as supostas oportunidades que o mundo impõe.


Janaina Pereira

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

E essa febre que não passa...


Uma semana de molho em casa. Lá vou eu, de novo, para as reflexões graças a última crise de sinusite. Já foi bem pior. Hoje eu me sinto mal, mas ainda faço algumas coisas como ver filmes e tentar almoçar com os amigos.

Meu aparelho respiratório é frágil. Eu posso morrer a qualquer minuto por falta de ar. Eu vivo me sentindo sufocada quando durmo. Sou ofegante, e só melhoro quando faço musculação, que me dá mais pique. preciso entrar no boxe para ganhar fôlego de vez.

Com as ocilações no tempo, até que tive poucas crises de sinusite este ano. Fico mal a cada bimestre. Já tive crises semanais. Os sintomas são os mesmos: a garganta fecha, o nariz entope, a febre me manda ficar deitada. Ocasionalmente, alguns delírios. Sempre sonhso com aranhas enormes invadindo meu quarto. Dessa vez foi diferente, me livrei dos pesadelos.

Pela garganta só passam sopas e sucos. E muita água. Queria uma caipirinah agora. Não dá. Que saco.


Semana que vem estarei melhor. Hoje, estou como na música do Renato Russo, Via Láctea.

"Essa febre que não passa
E o meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigada por pensar em mim"



Janaina Pereira

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Don't leave me dry


Ontem vi Quanto dura o amor?, filme do Roberto Moreira que chegará logo, logo aos cinemas brasileiros (aguardem as críticas oficiais). Gostei muito do filme, mas ele me deixou triste. A história gira em torno de três pessoas que tentam sobreviver em São Paulo. Preciso dizer mais alguma coisa?

Bem, o amor não dura muito, isso a gente já sabe. Pode durar um cigarro ou uma sessão de cinema. Talvez nem chega ao final do filme. Na trama, o amor também não dura. E o que mais cortou meu coração foi ver que a solidão avassaladora de São Paulo não tem cura mesmo.

Dizer que me identifiquei com o filme vai gerar piadinhas. Há uma lésbica, uma transexual e um escritor apaixonado por uma puta. Quem sou eu na história, né? Na verdade são pessoas que, por mais bem-sucedidas que sejam em seus sonhos profissionais, no amor elas não conseguem o que realmente desejam. Por que não se pode ter tudo na vida? Sei lá. Mas o amor, para elas, dura muito pouco. Quase nada.

Quando o filme acabou eu queria ficar sentada naquela simpática sacada do Belas Artes olhando o prédio em que ele foi filmado. Eu já estive naquele prédio, procurando apartamento para morar, claro. Nem me perguntem onde eu ainda não estive em São Paulo. Fui à USP depois com a abertura do filme na cabeça. E a música - tinha que ser High and Dry, do Radiohead - é trilha sonora da minha vida faz tempo.

À noite, conversando com a Mari Laviaguerre, chegamos a conclusão que só quem é de fora sabe como é tortuoso viver em São Paulo. E tanto faz se são dois anos ou oito, dá no mesmo. No final das contas nunca será a sua casa, nunca serão suas referências. E mesmo que hoje eu sinta saudades, ainda há algo incômodo, uma tristeza, uma barreira que parece não cair jamais.

O roteiro do meu filme começa naquela mesma estrada do Roberto Moreira, com a mesma música, com a mesma lágrima - e o Cristo Redentor ao fundo. Quantas vezes eu deixei o Rio chorando? Quantas vezes eu atravessei a Avenida Paulista aos prantos? Ontem não foi a última vez.

No meu caso, o amor não dura um cigarro porque eu não fumo. Talvez dure um chopp. Uma cerveja. Uma caipirinha. Não sei, mas deve durar alguma bebida alcóolica. Só sei que visualizei minhas malas prontas para voltar. Porque partir sempre parece a melhor saída para quem não suporta mais ficar.

Don't leave me high.
Don't leave me dry.



Janaina Pereira

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Sabedoria


1. A vida não é justa, mas ainda é boa

2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.

3 A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.

4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.

5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.

6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.

7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.

8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele aguenta.

9. Poupe para aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.

11. Sele a paz com seu passado para que ele não estrague seu presente.

12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que se trata a jornada deles.

14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.

15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.

16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.

17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeiroso.

18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.

19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.

20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite não como resposta.

21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Se prepare bastante, depois deixe-se levar pela maré.

23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém é responsável pela sua felicidade além de você.

26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todos.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.

31. Indepedentemente se a situação é boa ou ruim, irá mudar.

32. Não se leve tão à sério. Ninguém mais leva...

33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Deus é, não pelo o que você fez ou deixou de fazer.

35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.

36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.

37. Seus filhos só têm uma infância.

38. Tudo o que realmente importa no final é que você amou.

39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos jogassemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.

41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor está por vir.

43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.

44. Produza.

45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente.


(Regina Brett)

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