Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Passando 2009 a limpo


O primeiro ano após a faculdade não poderia ser mais surpreendente. A vida mudou completamente de rumo e muita coisa deixo ude fazer sentido. Novas portas se abriram e agora eu já nem sei mais para onde ir. Fazer um balanço de 2009, ano cheio de gratas surpresas, é esperar que 2010 seja igualmente repleto de significados.

O melhor de 2009 na minha vida louca e insana está aqui.


1 - Hugh Jackman - o dia que mudou minha vida de jornalista.

2 - Festival do Rio - os dias mais incríveis da minha vida de jornalista.

3 - Cabines - no começo é bom, depois enjoa, mas ainda vale a pena.

4 - Léo, Mari Laviaguerre, Tuna Dwek, Bruninho e Paula - algumas das pessoas mais queridas e apaixonantes que eu conheci este ano.

5 - Paloma e Wanderson - eu achava que não ia mais fazer novos amigos no Rio. E eles me fizeram ter uma vida carioca outra vez. Adoro!

6 - Home Officer - a liberdade de trabalhar em casa não tem preço.

7 - Espanhol + Italiano - finalmente volto a caminhar rumo ao meu sonho de sempre.

8 - Rio - nunca passei tanto tempo em casa como neste ano e isso me faz muito bem.

9 - Jornalista - ganho pouco mas faço o que gosto e isso é o que importa.

10 - Like a rolling stone



Janaina Pereira

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

Os melhores filmes de 2009



Up


(500) dias com ela


Distrito 9


Bem-vindo


Deixa ela entrar


À deriva


Se nada mais der certo


Entre os muros da escola


Simonal - Ninguém sabe o duro que dei


Caramelo



Janaina Pereira

Domingo, Dezembro 27, 2009

Pílulas



Não adianta me xingarem porque não gostei de Avatar. Continuo achando o filme única e exclusivamente um grande festival de efeitos visuais. Tem qualidades técnicas sim, tem seu valor sim, mas não tem um roteiro que o sustente. Não sou obrigada a gostar do filme só porque uma dúzia de críticos de cinema gostaram.


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Aliás, eu não sou crítica de cinema. Eu sou jornalista. E como jornalista eu valorizo outras coisas nessa vida.



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Eu prefiro Distrito 9. Infelizmente o QI das pessoas não alcança esse tipo de filme e a galera preferi ir no mais fácil, no esqueminha 'uma imagem vale mais do que mil palavras'. Então tá.


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Até Alvim e os Esquilos 2 fez mais bilheteria do que Avatar. E eu estou errada. Aham.



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Eu gostei mesmo foi de Sherlock Holmes. E achei bancana Onde vivem os monstros. E continuo não snedo obrigada a gostar de Avatar.


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E adoro Procurando Elly, um filme iraniano. Aí vão dizer 'ai, filme iraniano'. Pois é. Ainda bem que meu mundo não é limitado.




Janaina Pereira

Sexta-feira, Dezembro 25, 2009

HoHoHo


Mais um ano chega ao fim. É aquela mesma coisa de sempre - muitas confraternizações, rabanadas, vinho, ressaca, reunião de família, fogos de artifícios. Eu prefiro aproveitar o momento para imaginar que um ciclo se fecha e tenho 365 dias para fazer as coisas diferentes. Ou fazer tudo igual. Ou não fazer nada. Ou fazer tudo.

Na verdade acho que pouco importa o que vai acontecer; o que vale agora é desejar aos meus amigos as melhores coisas.

Por isso aos meus amigos desejo:

- Mais dinheiro do que trabalho - mas o trabalho é necessário, então tente fazer o que gosta boa parte do tempo.

- Mais amores do que rancores

- Mais alegrias do que insatisfações

- Mais conquistas do que reclamações

- Mais sorrisos do que lágrimas - mas se as lágrimas forem de felicidade, significarão que algo valeu a pena.


E ainda que o tempo e a distância nos afaste, só quero que cada um de vocês saiba que sempre haverá um lugar especial para os meus amigos no meu coração.

Porque onde eu estou, vocês estão lá também.


Feliz Natal e que bons ventos tragam 2010.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Filmão


Guy Ritchie ficou mais conhecido como o marido de Madonna. O cineasta de Snatch, Porcos e Diamantes, esteve envolvido nos últimos tempos com um projeto bastante ambicioso: (mais) uma adaptação para o cinema do clássico personagem de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes. Os mais céticos acreditavam que Ritchie não daria conta do recado. Grande engano. O diretor não só imprime seu estilo como joga luz e glamour sobre um dos personagens mais fantásticos da literatura. Sherlock Holmes, o filme que estreia dia 8, é sofisticado, elegante, irônico, moderno e autêntico. Uma obra perto da perfeição.

Para quem acha que Sherlock é ‘apenas um detetive’, vamos a algumas explicações. Criado por Sir Arthur Conan Doyle, o personagem surgiu pela primeira vez em Um Estudo em Vermelho, editada pela revista Beeton’s Christmas Annual no Natal de 1887. Sisudo, arrogante e fabulosamente inteligente, já aparece como um brilhante detetive, capaz de desvendar os maiores mistérios usando seus conhecimentos de química e a dedução.

Sempre acompanhado de seu fiel escudeiro, o médico John Watson, não se exercita por vontade própria, mas tem ótima forma, é bom corredor e dotado de uma força pela qual, segundo Watson, poucos poderiam dar-lhe crédito. Apontado como ”excepcionalmente forte nos dedos” (frase do livro A Coroa de Berilos) e um “aperto de aço” (do livro Seu Último Adeus), muito hábil no boxe, esgrima e baritsu, um sistema japonês de defesa pessoal.

Mestre do disfarce, Holmes pode passar facilmente despercebido. Frio, desprendido de qualquer sentimento, sem a menor compaixão pelas mulheres e irônico até dizer chega, nunca usou o cachimbo curvo (usava cachimbo comum) e jamais pronunciou uma das frases mais famosas do mundo.

Isso mesmo. “Elementar, meu caro Watson”, não aparece nos livros. Mas as adaptações teatrais e cinematográficas recriaram o personagem, fazendo da frase uma marca registrada de Sherlock. Guy Ritchie não segue a linguagem que popularizou o herói, e se apoia nos textos de Doyle para fazer seu filme, dando um ar jovial e viril ao personagem. Em Sherlock Holmes, o detetive tem o corpo (e que corpo!), a alma e toda a ironia de Robert Downey Jr, escolha acertadíssima para o papel. O ator está completamente à vontade, e encarna o personagem com convicção. Um raro caso de ‘foram feitos um para o outro’ - Downey Jr é o melhor Sherlock que poderia ser.

Não existe Holmes sem Watson, e coube a outro galã, Jude Law, vestir a elegância discreta do médico. Carismático, doce e amigo fiel, o Dr. Watson de Law ilumina a tela, não sendo um mero coadjuvante. Nesta versão, ele tem destaque e personalidade própria. As melhores cenas do longa são so duelos verbais da dupla, em que podemos perceber como os atores se divertiram enquanto filmavam. Desde já, Law & Downey Jr – ou Watson & Sherlock – formam uma das melhores dobradinhas do cinema.

Guy Ritchie leva para a telona uma história baseada nos quadrinhos de Lionel Wigram, e inspirada nos contos clássicos de Sir Arthur Conan Doyle. O thriller de ação e mistério narra uma nova aventura de Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e seu leal parceiro Watson (Jude Law). Tudo parece anormal na vida de ambos: após a resolução de mais um caso – eles conseguem deter o Lorde Blackwood (Mark Strong), que matou inocentes mulheres em rituais e foi condenado à morte – Sherlock não encontra motivação para desvendar outros mistérios e Watson pretende dar um novo rumo à sua vida.

Para surpresa de quem está acostumado às histórias antigas do detetive e seu amigo médico, Dr. Watson está prestes a se casar e Holmes não quer perder o companheiro de aventuras – taí uma sacada bem bacana do roteiro, que permite revelar um pouco do sentimento do personagem, sempre tão racional e preciso.

Mas, para infelicidade – ou não! – da dupla, Lorde Blackwood ressurge das cinzas. O maquiavélico vilão não morre, o que faz Watson voltar a ajudar Holmes, mesmo a contragosto. Eles se unem para deter Blackwood, que está disposto a executar um plano ainda mais diabólico, que pode fazer com que Londres vá pelos ares.

A história é intrincada, como todas de Holmes. É preciso prestar atenção para desvendar os mistérios, saber os rumos da trama e não se perder pelo meio do caminnho. Isso faz parte da essência dos livros e não é diferente no filme. É preciso embarcar na aventura e não tentar adivinhar como tudo termina – sempre achei impossível seguir a lógica de Sherlock, embora no final tudo faça sentido.

Vale ressaltar ainda que o filme conta com Rachel McAdams (Irene Adler, citada em um dos livros de Doyle, uma das poucas mulheres que Holmes via com certo apreço) como o ’enfeite’ da vez. Além de ser sem sal, sem pimenta e sem tempero, a atriz é ‘engolida’ pelas atuações de Downey Jr e Law. Fraquinha que só ela, é totalmente dispensável em uma futura e bem possível continuação do longa.

Sherlock Holmes ainda mostra que o estilo ‘diretor de videoclipe’ de Ritchie faz bem mesmo em uma obra tão clássica: os cortes rápidos, a câmera lenta que logo agiliza a resolução da cena, as tomadas suspensas, tudo funciona com graciosidade, dando um ar moderno e vigoroso à trama.

Outro destaque é a ótima trilha sonora de Hans Zimmer, além dos belos figurinos e da fotografia exuberante, que imprime um ar obscuro, mas luminoso, para a Londres vitoriana de Sherlock – algo que lembra um pouco os tons sombrios de Tim Burton.

Posso dizer que Sherlock Holmes é daqueles filmes apaixonantes, que permitem o espectador embarcar na telona sem a menor cerimônia. É divertido, inteligente, simpático e bonito de se ver, não só pelo visual do filme, mas também pela boa forma de sua dupla de protagonistas. Elementar, meu caro Guy Ritchie.


Janaina Pereira

Domingo, Dezembro 20, 2009

Síndrome de Peter Pan

Durante a banca do TGI do meu amigo Léo, sobre animação, um dos professores comentou que era estranho mulheres não fazerem animação, já que meninas adoram brincar de bonecas e tal. Na hora me deu vontade de responder: 'é que as meninas crescem'.

Pois é. Eu brinquei de boneca sim, mas hoje não mais. Adoro animação e florzinhas no cabelo, mas tenho responsabilidades e sou adulta. Eu cresci. E odeio perceber que, cada vez mais, a infantilização masculina se faz presente.

Os desenhos, aliás, são responsáveis por isso. Esse negócio de príncipe encantado, sapo que vira príncipe, empregada que vira princesa, dá uma ilusão de um mundo que não existe. O tal conto de fadas. A vida tem mais bruxas do que fadas, podem acreditar.

Os meninos parecem, cada vez mais, eternizados nos corpos masculinos. Continuam colecionando carrinhos, bonecos, figurinhas. Tudo bem, eu também tenho minhas paixões infantis, gosto dos Jetsons até hoje mas vamos conbinar? Eu não vivo em função disso.

Parece que os homens se recusam a crescer, querem continuar crianças eternamente. Para algumas mulheres pode ser fofo, para mim já causa incômodo. Percebi que não consigo conviver com isso. Não sou infantilizada. Sorry.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Strangelove

(Depeche Mode)


There'll be times when my crimes
Will seem almost unforgivable
I give in to sin
Because you have to make this life liveable

But when you think I've had enough
From your sea of love
I'll take more than another riverfull
Yes, and I'll make it all worthwhile
I'll make your heart smile

Strangelove, strange highs and strange lows
Strangelove, that's how my love goes
Strangelove, will you give it to me?
Will you take the pain? I will give to you
Again and again and will you return it

There'll be days when I'll stray
I may appear to be constantly out of reach
I give in to sin
Because I like to practice what I preach

I'm not trying to say, I'll have it all my way
I'm always willing to learn
when you've got something to teach
And I'll make it all worthwhile
I'll make your heart smile

Pain will you return it?
I'll say it again - pain
Pain will you return it?
I'll say it again - pain
Pain will you return it?
I'll say it again - pain
Pain will you return it?
I won't say it again

Strangelove, strange highs and strange lows
Strangelove, that's how my love goes
Strangelove, will you give it to me?
Strangelove, strange highs and strange lows
Strangelove, that's how my love goes
Strangelove, will you give it to me?
Strangelove, strange highs and strange lows
Strangelove, that's how my love goes
Strangelove, will you give it to me?

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

It's no good

(Depeche Mode)


I'm gonna take my time
I have all the time in the world
To make you mine
It is written in the stars above
The gods decree
You'll be right here by my side
Right next to me
You can run but you cannot hide

Don't say you want me
Don't say you need me
Don't say you love me
It's understood
Don't say you're happy
Out there without me
I know you can't be
'cause it's no good

I'll be fine
I'll be waiting patiently
Until you see the signs
And come running to my open arms
When will you realise
Do we have to wait till our worlds collide
Open up your eyes
You can't turn back the tide

Don't say you want me
Don't say you need me
Don't say you love me
It's understood
Don't say you're happy
Out there without me
I know you can't be
'cause it's no good

I'm gonna take my time
I have all the time in the world
To make you mine
It is written in the stars above

Don't say you want me
Don't say you need me
Don't say you love me
It's understood
Don't say you're happy
Out there without me
I know you can't be
'cause it's no good

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Traficantes do Asfalto


Acabo de assistir Tropa de Elite. Tá, eu sei, estou atrasada. Mas tenho esse defeito, odeio filmes do tipo 'espreme e sai sangue'. Nunca vi Carandiru e Cidade de Deus até o fim - e não tenho nada contra o Meirelles, pelo contrário, adoro o segundo filme dele, O Jardineiro Fiel.

Quando Tropa de Elite bombou nos cinemas, eu achei que era mais um filme de 'polícia e bandido' e não quis ver. Mesmo o prêmio em Berlim 2008 não me empolgou. Mas como o longa ia passar ontem na TV, eu parei para assistir. E adorei.

O filme me ganhou por um motivo muito simples: o roteiro - muito bem escrito, por sinal - coloca a classe média como uma das principais responsáveis pelo tráfico de drogas do Rio. Eu sempre falo isso, digo que são os mauricinhos e patricinhas da Zona Sul carioca quem bancam o tráfico. E lá está, estampado para todo mundo ver, em cenas bem chocantes do filme, o que esse povo faz.

Só por isso o filme já vale. Mas tem mais. Tem o Wagner Moura dando show como o Capitão Nacimento - que não é corrupto mas adora uma tortura. É assim mesmo que funciona. No Rio não há vilões e mocinhos: polícia e bandido estão ali defendendo o que é seu. Sobra para inocentes, claro, e o filme apresenta isso muito bem.

Tropa de Elite ainda aponta como um policial pode ficar feroz facilmente, como o Rio está dominado pelo tráfico e como a burguesia praiana é alienada e escrota. Muito fácil ver o mundo da janela do Leblon e subir o morro para rebolar em baile funk e comprar um baseado. O filme esfrega isso na cara e - é péssimo dizer isso, mas é verdade - como eu vi algumas pessoas que conheço ali, entre os bem-nascidos que são usuários de maconha e acham que não fazem mal a ninguém. Claro, a fumaça da maconha e a cocaína escorrendo no nariz impedem esse povo de enxergar a merda em que se meteram.

Outra cena impressionante é a morte de um dos 'agentes sociais' da ONG localizada no morro. A cena repete a morte do jornalista Tim Lopes, mostrando que a lei do morro é matar ou matar.E mostrar a PUC como o centro dos estudantes idealistas que fazem trabalho social mas também fumam seu baseado e colaboram com o tráfico foi sensacional. A tropa de elite é o BOPE, mas a elite mesmo formou a sua própria tropa de traficantes do asfalto.

Tudo no longa de José Padilha funciona bem, do elenco a direção, da trilha sonora a montagem, da fotografia ao roteiro. Tropa de Elite é um filme de ação, sem culpa e sem medo de mostrar o Rio como ele é. Porque o problema carioca não está nas favelas, mas nas pessoas que sobem os morros - policiais, bandidos, traficantes, usuários de droga. É sujeira para tudo quanto é lado e, sei lá, acho que não tem mais jeito.


Entre mortos e feridos, salve-se quem puder.


Janaina Pereira

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Sem apego


A realidade é que não podemos nos apegar às pessoas. Isso causa um dano sem fim. Não nascemos para vivermos isolados, mas somos sozinhos no mundo. Esse negócio de grude não dá certo. Eu gosto da minha família, dos meus amigos, mas eu sei que preciso resolver algumas coisas sozinhas.

Não adianta você achar que o amor é para sempre. Não é. As pessoas entram e saem da sua vida e você nem nota. Neste blog, por exemplo, é possível achar vários textos onde cito nominalmente pessoas que, naquele momento, eram fundamentais para mim. Onde estão todas elas? Não estão. Sobraram poucos para contar a história.

Nos meus mais de 30 anos de vida, digo que tenho amigos e amigos. Alguns, mesmo distantes, quando a gente se reencontra é como se nunca tivessemos deixado de nos vermos. Outros... simplesmente se perderam com o tempo. Estão por aí e eu sei que não vão voltar.

Existem aqueles também que eram tão importantes, tão amados e tão queridos, mas aí fizeram alguma merda e sumiram. Como é possível amar tanto alguém e esse alguém simplesmente transformar tudo num mero acaso, não levar em consideração o sentimento alheio e sumir por ai? Já vai tarde.

Gosto muitíssimo dos meus amigos, mas são poucos que eu sei que fazem parte da minha vida de fato. Eu sempre procuro as pessoas, me faço presente, mas não posso implorar que elas sejam receptivas. Paciência.

Sinto saudades de muita gente, gente que realmente era importante, gente que eu ainda me importo... mas que, pelo jeito, eu não tinha tanta importância. Ai entram outras pessoas, outros amigos, outras histórias.

E a vida segue assim. Está todo mundo de passagem. Alguns deixam boas lembranças. Outros, nem isso.


Janaina Pereira

Domingo, Dezembro 06, 2009

Feliz cidade



Eu sou mais feliz no Rio. Fato. É simples assim: o Rio é minha casa, o lugar em que estão minhas referências, minha praia, meu mundinho particular. Se eu pudesse, nunca teria saído de lá.

Os anos passam e São Paulo continua sendo aquela coisa estranha. Aquele lugar em que eu nunca me encaixo, nunca sou eu. Não combino com São Paulo. Não combino com as pessoas, com a agitação, com a ausência de cores, com a falta de humor da cidade.

Infelizmente para mim, São Paulo é um lugar de oportunidades, que me deu a chance de me reiventar. Adoro a vida que levo aqui, mas cansa muito. Cansa especialmente quando percebo que por mais que conheça as pessoas, tenha amigos, trabalho, e viva a minha vidinha de forma bacana, eu não consigo dizer que gosto de morar aqui.

Eu sempre me senti uma intrusa na cidade. São as mesmas piadas que já não têm graça: é o meu sotaque, meu jeito de andar, meu jeito de vestir, minha cor de pele. Um saco. Desculpem se nasci no Rio, uma cidade bem mais bonita, bronzeada e colorida. Parece que todo dia tenho que provar para os outros que o fato de não ser paulista não significa nada. Odeio ser estrangeira no meu próprio País.

Os anos passam, as coisas parecem mudar, mas a verdade que eu continuo perdida e deslocada. Continuo com aquele olhar de quem, a qualquer momento, vai chorar de saudades. A questão é simples: eu sempre volto para o Rio. E o dia que eu for embora de São Paulo, vou voltar aqui para que?

Alguém vai dizer - para rever seus amigos. Pois é, mas não rola. Os amigos do Rio que eram uma das coisas mais importantes da minha vida já são distantes, imagina os daqui. Às vezes acho que nem tem lugar para mim no mundo. Talvez seja esse o problema, eu não consigo descobrir qual é o meu lugar.

Existem sim dias felizes em São Paulo. Eles são cinzentos, mas são legais. Mas eles não superam os dias felizes no Rio. Incrível como os anos passam, e meu coração nunca consegue sair de lá.

Dizem que a gente só dá valor as coisas quando as perde. É a mais pura verdade. Eu não era essa carioca apaixonada quando morava lá. Foi só deixar a cidade que virei fã, que sinto falta, que choro de saudades. Não são as pessoas que me levam de volta, é o lugar, a praia, cada esquina que fez parte de 26 anos da minha vida. É uma saudade tão grande, tão forte, que dói o coração. Às vezes acho que não vou suportar. Mas eu sei, e como sei, que não posso retornar para ficar.

Moro em São Paulo porque preciso. Volto para o Rio porque, apesar de tudo, é o único lugar que eu realmente amo.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

O crítico e a crítica


Ontem fui ao CineSesc acompanhar a abertura da 10ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro. De 4 a 30 de dezembro, o CineSESC exibirá títulos como Divã, A mulher invisível, Os Normais 2 e Se eu fosse você 2; documentários musicais, como Loki, O milagre de Santa Luzia, Waldick e Herbert de perto; sobre futebol, como Fiel, 1983: O ano azul e Nada vai nos separar; premiados, como Se nada mais der certo e A festa da menina morta; filmes infantis, como Cocoricó e Grilo Feliz, ou documentários que causaram diferentes tipos de polêmica, como Moscou, Alô, alô, Terezinha e Garapa.

Na abertura para convidados foi exibido o excelente documentário Crítico. Durante oito anos, o crítico de cinema e cineasta Kleber Mendonça Filho registrou com uma câmera digital críticos e cineastas no Brasil e no exterior. Eles falaram sobre ver e fazer filmes, o prazer e a frustração, os egos do artista e do observador no cinema.

Entre os cineastas que aparecem no documentário estão Fernando Meirelles, Walter Salles, Gus Van Sant, Costa Gravas e Curtis Hansom, que contam como aprendem – ou não – com os críticos de cinema. Em contraponto, a difícil arte de falar – na maioria das vezes, mal – do filme alheio é apresentada na perspectiva de jornalistas estrangeiros e brasileiros, como Ricardo Calil e Luiz Carlos Zanin.

Crítico mostra desde jornalistas despreparados diante dos cineastas e atores – como o caso do jornalista brasileiro que confunde Samuel L. Jackson com Laurence Fishburne – aos que conquistam a amizade e o respeito dos diretores de cinema. E ainda aponta a crueldade das palavras e símbolos que podem destruir um filme.

Claro que me fez pensar muito no que estou fazendo da minha vida. Não me considero crítica de cinema. Eu sou jornalista. E isso já muda minha visão das coisas. Como jornalista, trabalho com prazos. E se tenho prazos, não fico digerindo um filme por dias antes de decidir se eu gostei dele ou não. O filme acabou, a luz acendeu, e a reação é na hora. O que eu sinto ali é o que estará no papel.

É errado escrever sobre um filme da perspectiva de um mero espectador? Não sei. Mas é assim que faço e assim que vai ser. Até analiso algumas partes técnicas, porque curto fotografia e trilha sonora e sei minimamente algumas coisas. Mas não vou ficar bancando a pseudo-intelectual e falando difícil. Não é isso que o público quer ler.

Lembro que minha primeira crítica oficial foi recusada. Estava técnica demais, sem emoção. Ai escrevi sobre o mesmo filme aqui para o meu blog, com o olhar de espectadora. Foi aprovada. Ali eu percebi que o segredo era continuar fazendo o que sempre fiz: vendo o filme com a mesma paixão da minha infância, com o olhar de quem está no cinema por diversão.

Não é por causa disso que só vejo o que gosto. Eu vejo de tudo, gosto de muita coisa, detesto outras, mas sei falar mal de um filme com elegância. Não vou sair por aí destruindo o filme só porque não gostei. Quem sou eu para fazer isso? Também não vou falar que amei só para agradar os outros. Gosto muito do que fiz na crítica de 2012, por exemplo. Não gosto do filme, mas sei que é o tipo de longa que o povo ama. Então, fui sarcástica.

Outro que rendeu uma boa crítica foi Anticristo. Na avaliação mais minuciosa que usei para falar de um filme particulamente difícil para mim, consegui uma análise sobre a dor que eu nunca achei que poderia fazer.

Claro que filmes que adoro são mais fáceis de serem analisados. 500 dias com ela rendeu o maior número de comentário do tipo - "eu não ia ver este filme, vi porque li o que você escreveu". Isso é sensacional. Saber que meu olhar apaixonado pelo filme fez muita gente ir ao cinema para vê-lo. E as pessoas gostaram do que viram, porque o filme é mesmo legal.

Mas ainda acho que minha análise mais legal foi de Distrito 9, um filme que trouxe à tona o que eu tenho de mais forte: minha memória. Reviver todos os meus sci-fi para chegar a conclusão de que Distrito 9 é um novo olhar para a ficção científica foi bom demais. Adorei escrever, foi uma viagem no tempo.

Mas, na maioria das vezes, é um parto falar dos filmes, alguns simplesmente não tenho o que dizer. E ai entra a parte mais legal do documentário Crítico, em que alguns entrevistados dizem que o crítico é fruto do filme que ele vê. Perfeito.

Eu quero continuar escrevendo sobre cinema, mas não quero ser crítica, jamais. Eu sou só uma jornalista que por acaso cobre cinema, que ama cinema, que ama aquela sensação de embarcar numa viagem na telona. Claro que meu texto é menos apaixonado e mais jornalístico, mas o que importa é que as pessoas leem e vão ao cinema graças ao que escrevo. E, pincipalmente, elas não desistem de um filme por causa da minha opinião.

Eu não sei de nada. Mas o que vejo nas telas, e a forma como vejo, compartilho com vocês.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

As rugas de Michelle


Assisti hoje ao filme Chéri, de Stephen Frears, que chega às telas ano que vem. O longa traz uma das mais belas atrizes americanas, Michelle Pfeiffer, como protagonista. Faz tempo que não via Michelle. Ela está lá, magérrima, loiríssima e com as rugas de uma mulher de 51 anos. E vou falar sobre as rugas de Michelle, não sobre o filme.

Tá, a história sobre a mulher mais velha que se apaixona pelo homem mais novo é batida. Mas o filme consegue mostrar a crueldade do envelhecimento. E é fato: envelhecer não é nada fácil.

Para o homem é muito tranquilo. Tanto faz se eles têm cabelos brancos, são carecas e barrigudos... a velhice masculina é charmosa. Sean Connery. Robert Redford, Paul Newman, Clint Eastwood... a lista de coroas que encantam é gigante. Paula Newman, particularmente, morreu com 82 anos e o charme de sempre. E as mulheres?

As atrizes sempre reclamam que não existem papéis para quem passa dos 40. Deve ser por isso que Nicole Kidman é puro botox. Mas algumas - poucas - assumem as rugas. Nesse seleto grupo está Meryl Streep - hoje uam atriz respeitada, mas que quando mais jovem era ums espécie de 'Regina Duarte hollywoodiana', bastante discriminada pela mídia de lá.

Outra que colocou as rugas na tela é a sexy simbol Kim Basinger. Também cinquentona, Kim aparece com as rugas que a idade lhe deu em The Burning Plain (que eu vi no Festival do Rio, ainda não está em circuito). Está velha mas continua bonitona. O filme de Guillermo Arriaga ainda tem Charlize Theron e seus 30 poucos anos distribuidos em seios caidos e os primeiros sinais de rugas em seu belo rosto. E ela continua linda.

Por que é tão complicado para uma mulher envelhecer? O cabelo branco tem que ser pintado, o corpo tem que permanecer durinho - e aí são horas de malhação - e as tais rugas não podem aparecer - lá vem botox, plástica e milhares de cremes. A velhice feminina, na minha modesta opinião, tem mais a ver com que o que a mulher deixa de ser do que com o que ela aparenta ser.

Com a idade, a mulher deixa de ser fértil. O homem não, ele é macho para toda a vida. Enquanto ele puder ser pai e a pílula azul fizer efeito, lá estão os homens se achando. Para o homem não importa a aparência, só importa que seu órgão sexual funcione. Já a mulher, quando entra na menopausa, vira um mero objeto de decoração.

Homens com mais de 40 jamais se envolvem com mulheres de sua idade. E os que estão na faixa dos 30 também. Todos querem as mocinhas de 20 e poucos, aparentemente mais interessantes. Já intelectualmente, elas sempre ficam devendo, afinal, não possuem experiência de vida. Mas mulheres não precisa pensar. Se estiver em forma e for minimamente gatinha, já está valendo.

Um ex-namorado meu, que é médico, certa vez me falou que o auge da sexualidade masculina é dos 20 aos 25 anos. No caso das mulheres, dos 35 aos 40 anos. Segundo ele, o casal ideal é a mulher de 40 com o cara de 25. Sexualmente perfeito, mas sabemos que, na realidade, é quase improvável que isso aconteça.

As rugas de Michelle Pfeiffer me fizeram pensar como é cruel envelhecer - e Chéri capta isso muito bem. Michelle é perfeita para o papel. Em nosso mundo machista é assim que funciona: não adianta tanta beleza, tanta magreza, tanta sensualidade se no final das contas o cara mais novo vai embora sem olhar para trás.

Que Deus permita que minhas rugas sejam breves e minha vida não seja longa.



Janaina Pereira

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Esse meu jeito estúpido de ser


Outro dia me falaram que sou um pouco brava. Na verdade eu sou muito brava. E não escondo isso. Eu acho até que melhorei muito, eu era bem pior. Eu era muito mais tensa, chata, irritada, ansiosa, nervosa, eu era praticamente insuportável quando tinha que conviver com pessoas que eu não gostava, fazendo o que não queria e tendo que engolir um monte de coisa porque a gente precisa trabalhar.

Desde que decidi mudar o rumo das coisas - ou melhor, decidiram por mim - eu resolvi que não vou mais fazer o que não quero. Eu não faço mais nada para agradar aos outros. Eu consegui encontrar uma serenidade que achava não mais existir. Eu percebi que o mais importante é a minha liberdade e é ela quem realmente me faz bem.

Sou livre para trabalhar como quero, a hora que quero, do jeito que quero. E foi isso que me deixou menos brava, menos tensa, menos chata. É incrível como eu conseguia me irritar com as pequenas coisas do dia-a-dia corporativo. Talvez porque eu, finalmente, dei valor ao meu trabalho e não mereço ficar presa num lugar para fazer os outros ganharem dinheiro às minhas custas.

Eu me sinto melhor em saber que hoje eu marquei um chopp com os amigos e eu vou porque ninguém vai inventar uma reunião às 18 horas que vai me impedir disso. Eu faço planos, eu tenho vida, e é isso que me faz feliz. Eu ainda sou brava, porque não gosto de certas brincadeiras, tenho um humor muito ácido e irônico e não aturo algumas coisas que, para o mundo, é normal. Mas eu sou muito menos brava - e talvez não queira deixar de ser brava nunca, é o que me define.

Ser marrenta e brava são duas coisas que combinam tanto comigo que perde a graça se eu mudar. Eu só melhorei, com o tempo, o meu rugido. Hoje penso duas vezes antes de dar um fora, de ser grossa, de ser estúpida com os outros. E hoje, principalmente, eu sei que não posso ser estúpida com algumas pessoas, porque elas são boas demais e não merecem isso.

Hoje muita gente acha que faz parte da minha vida, mas só algumas realmente estão dentro do meu coração. São as que levarei para sempre, não importa em que lugar eu vivo. São essas pessoas que me fazem acreditar que o mundo ainda é um bom lugar e vale a pena viver nele.

Eu assumo meus defeitos porque, aos 35 anos, não tenho mais nada a esconder. Sou muito melhor hoje do que era aos 25, sou muito menos complicada e muito mais esperta. Decidi, faz tempo, que eu vou me agradar primeiro, e desagradar a todo mundo que me enche o saco.

Eu sou indelicada com quem merece, com quem me perturba, com quem parece ser mas nao é, com quem, de fato, precisa de um safanão para acordar para a vida. Com as pessoas que me aceitam como eu sou, não se intrometem na minha vida e são parceiros nas horas boas ou más. Essas eu sempre vou ser fofa, porque eu sou legal pra caramba, mas não vem me infernizar que leva pela cara.

Como boa leonina, eu sou um poço de gentilezas, mas se pisar do rabo do leão, ele morde. Simples assim.



Janaina Pereira

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Venha como você é



Hoje foi um daqueles dias em que eu percebi o quanto o mundo adora dar valor a gente incompetente. É incrível como, cada vez mais, pessoas que não tem a menor capacidade profissional conseguem bons salários e bons empregos. O que vale é o que você parece ser, não o que é de fato.

É uma puxação de tapete, um querendo apunhalar as costas do outro, a galera se oferecendo para trabalhar de graça ou quase isso. É a prostituição do mercado de trabalho, essa situação irritante que eu vejo acontecer desde que me entendo por gente.

Lembro bem como era a vida do meu pai: um mar de rosas cheias de espinhos no trabalho até ele ter um derrame e virar uma pessoa menos capaz para fazer o que sempre fez. Ainda assim ele revistiu bravamente e, enquanto viveu, trabalhou em subemprego para me deixar estudar em colégio particular e ter uma formação melhor.

Meu pai não fez curso superior e para ele isso deveria ser fundamental em minha vida. Por isso fui - e sou - CDF. Estudei tanto para que? Para ver pessoas que colocam a vírgula entre o sujeito e o verbo se darem muito bem; para ver gente que mal sabe escrever o próprio nome se achando.

As pessoas do bem dizem que gente mau caráter não vence nada mas eu só vejo isso: os desonestos, os sanguessugas, os puxa-sacos, os imbecis e os éssimos profissionais subindo, subindo e subindo.

Eu odeio o mundo corporativo, odeio essa gente supostamente 'fina, elegante e sincera' que anda por aí, odeio os pseudointelectuais, os que fazem propaganda de si mesmo como se fossem o último biscoito do pacote. Odeio saber que não adianta nada eu conehcer regra gramatical e escrever direitinho: isso não vai fazer diferença.

Fazia muito tempo que eu não me revoltava a ponto de ouvir Come as you are, do Nirvana, no último volume. Sinal que a vida está ficando um saco outra vez.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Quanto dura o amor?


Eu queria que você fosse um pouco mais claro em suas intenções. Talvez você esteja enganado, ou se enganando, ou me enganando. Talvez esteja com orgulho ferido ou tenha descoberto o que realmente quer. Dá para dizer logo? Ou vai ficar nesse joguinho ridículo de menino mimado?

O amor não está mais durando nem o próximo gole. E se a bebida esquentar, já era. Perdeu, playboy.


Janaina Pereira

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Coisas que eu detesto


Há coisas na vida que eu não gosto mesmo. Não adianta, não é só uma questão de não gostar, é de não querer gostar. Não me permito gostar e não quero gostar mesmo, sabe?

Eu não gosto de dizer 'não' mas sou obrigada a fazer isso, de vez em quando. E vou enumerar tudo que não gosto. Ou quase tudo. Vamos lá.


1 - Não gosto de comida japonesa. Bem que eu tentei, mas não dá. Eu não gosto mesmo. Até como, mas não é algo que goste. Então eu não como, não me obrigo a isso, porque eu não vou gostar mesmo.


2 - Não gosto de Woody Allen. Chocado? Pois fique mesmo, eu tenho trauma de infância dele. Eu não vejo, e quando vejo eu não gosto. E acho que não gosto de propósito. Adoro não gostar dele.


3 - Não gosto de cozinhar. Eu só gosto de comer mesmo. E muito. Adoro comer. mas cozinhar, não. Eu cozinho porque preciso, mas se pudesse não cozinhava. Não gosto, não quero aprender e não vou aprender.


4 - Não gosto de cigarro. Odeio tanto ou mais que Woody. É algo que me incomoda e me irrita. Nada contra os fumantes, mas ... desculpem, cigarro fede.


5 - Não gosto de atrasos. Eu raramente me atraso, às vezes até acontece, mas odeio esperar. Odeio marcar e ficar lá, que nem tonta, esperando e esperando. Pontualidade - ou no máximo 15 minutos de atraso - é sinal de educação.


6 - Não gosto que me toquem. Gente que eu não tenho a menor intimidade vem me segurar, encostar em mim. Affe, é a morte. Odeio que me toquem. Se eu achar que devo ser tocada, eu vou demonstrar isso. Odeio homem que cumprimenta e coloca a mão na cintura, demonstrando intimidade. Odeio gente que fala encostando no outro. Odeio que pessoas com quem não tenho a menor afinidade coloquem os dedinhos em mim.


7 - Não gosto de acordar com telefone. Em casa desligo tudo. Celular, telefone fixo. Odeio acordar com barulho de telefone. Aliás, eu odeio telefone, celular então... é um mal necessário.


8 - Não gosto de fazer prova. Para que isso? Provar o que para quem? Detesto prova, da escola a Pós, passando pelos cursos de línguas, nunca gostei.


9 - Não gosto que se metam na minha vida. Ah, por que você não faz isso? Ou aquilo? Cuida da sua vida que eu cuido da minha. Até porque quem paga minhas contas sou eu.


10 - Não gosto de piadas. Se ninguém reparou, eu sou mal humorada. Sou chata, irônica e brava. Detesto piadinhas, de qualquer tipo. Não sou de levar as coisas na esportiva. Se eu estiver de bom humor, deixo passar. Caso contrário... prepare-se para uma resposta curta e bem grossa.




Janaina Pereira

Domingo, Novembro 15, 2009

Mais que uma partida de futebol


Chegou aos cinemas no último dia 6, À Procura de Eric, de Ken Loach, que não é, à primeira vista, um trabalho típico do diretor. Conhecido por ser engajado e transportar isso para seus filmes, Loach segue o mesmo caminho de Ang Lee e aponta para uma nova estrada, a da comédia. Mas os fãs do diretor não irão se decepcionar: nas entrelinhas é o bom e velho Loach de sempre, agora com boas doses de risadas.

A história gira em torno de Eric Bishop (Steve Evets), um carteiro da cidade de Manchester, na Inglaterra, apaixonado por futebol. Sua vida não é lá essas coisas, mas ele insiste em não olhar para frente: com um pé no passado e remoendo mágoas, acumula problemas e frustrações.

Seu grande ídolo é Eric Cantona, o jogador de futebol que idolatrado pela torcida do Manchester United nos anos 1990. E é o próprio Cantona que passa a visitar Eric em sua imaginação, dando conselhos e o 'empurrãozinho' que faltava para o carteiro aparar as arestas de sua vida. Com ajuda o 'amigo', Eric tenta resolver seus problemas com a ex-mulher e com um dos seus enteados. E percebe que, assim como no futebol, a vida também é uma caixinha de surpresas.

O longa tem como grande trunfo a dobradinha simpática entre Evets e Cantona. Há, no entanto, lá pelo meio da história, alguns momentos em que o jogador não aparece - quando a trama perde o ar de comédia e vira um drama tenso. Sente-se falta de Cantona neste trecho do filme, mas ele volta, nos momentos finais, para a redenção de Eric.

Cena a cena, À Procura de Eric vai crescendo em emoção, humor e referências a problemas corriqueiros que qualquer pessoa poderia ter. É essa identificação com o protagonista que aproxima o espectador do filme, sendo impossível resistir às suas imperfeições tão comuns ao ser humano. Os amantes de futebol terão ainda a chance de ver Eric Cantona em momentos históricos no campo. E é justamente aí que Loach se revela: o esporte que leva multidões aos estádios foi o caminho achado pelo diretor para fazer uma análise sincera e peculiar do Homem.

À Procura de Eric é o tipo de filme que conquista o público aos poucos, fazendo com que o personagem fique em nosso imaginário assim como Cantona ficou no dele. Simpático e simples, mexe com a massa, exatamente como o futebol. E, ao invés de aplausos, vamos fazer uma 'ola' para o Ken Loach. Ele merece.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

O dia depois de amanhã



O mundo vai acabar em 2012. A piada, que vem fazendo parte do cotidiano dos cinéfilos brasileiros, ganhou força depois do apagão que tomou conta do País na última terça, 10 de novembro. 2012, o filme-catástrofe da vez, estreia desta sexta-feira 13, não poderia chegar em hora melhor no Brasil. O longa do diretor Roland Emmerich é mais uma produção que destrói o mundo – ou parte dele.

Emmerich foi esperto ao aproveitar o bom momento internacional do Rio de Janeiro e colocar a cidade na rota do fim do mundo. O primeiro grande erro de 2012 vem daí: o poster que mostra o Cristo Redentor (foto), um dos maiores símbolos do turismo nacional, sendo destruido, está na pespectiva errada. Desde quando o Cristo fica ali grudado no Pão de Açúcar? Fala sério.

Para piorar, no filme o Cristo é destruido de forma ridícula, em uma cena rápida que aparece como ‘transmisssão da Globo News’. Tanto alarde para nada.

Se para nós esta era a parte mais interessante, o que dizer do resto? Muito pouco. 2012 é aquilo que se espera dele: efeitos especiais de primeira em um roteiro chinfrim.

Todos os clichês que fizeram o sucesso dos filmes catástrofes nos anos 1970 estão lá: um bom ator como protagonista – aqui é John Cusack, no passado foram Paul Newman e Steve McQueen em Inferno na Torre e Gene Hackman em O destino do Poseidon – família que tenta superar seus problemas, casais separados que ainda se amam, o presidente americano do bom (dessa vez ele é negro e ninguém menos que Danny Glover!), outro político qualquer do mal, e por aí vai.

O herói que tenta salvar a família é John Cusack, mas antes que ele aparece efetivamente em cena, temos mais de uma hora de explicações sobre o porquê do mundo acabar. 2012 começa, na verdade, em 2009, quando um cientista indiano percebe que a Terra está com seus dias contados e neste trecho tem uma explicação detalhada sobre profecias maias.

E quando chegamos, finalmente, a dezembro de 2012, as coisas começam a explodir. Com o alinhamento da Terra com os outros planetas o mundo começa a sofrer uma série de catástrofes e se torna quase inabitável, resultando em uma morte massiva de seres vivos por todo planeta.

O governo dos Estados Unidos – sempre eles! – decide construir arcas insubmergiveis para salvar uma parte da população, para depois reconstruir novamente a civilização. Claro que eles não vão construir as arcas, né? O trabalho duro fica com os chineses. O clima é de Arca de Noé, mas agora é uma arca moderna, ou melhor, são quatro arcas made in China.

Os americanos podiam sacanear e mostrar as arcas partindo ao meio antes do fim da travessia, mas não, o objetivo do filme não é questionar a qualidade dos produtos chineses, mas fazer uma produção globalizada – e as espécies que vão sobreviver são escolhidas de acordo com a quantidade de grana que possuem em seus bolsos, não pelas suas nacionalidades Multiculturalidade, nem pensar.

Mas tem sempre um pé rapado tentado fura a fila, no caso John Cusack & família. E nesta odisseia, enquanto o mundo vai pelos ares e os ricos tentam um lugar nas arcas, lá se vão 158 minutos da sua vida.

Roland Emmerich é fissurado mesmo por catástrofes – Independence Day e O dia depois de amanhã são outras pérolas dele – e dessa vez não poupa esforços para explicar sua história. Não me convenceu. Mas ainda tem gente que curte esse tipo de filme – eu conheço meia dúzia de pessoas que não vê a hora de conferir de perto o mundo indo para a ponte que partiu.

Se você é desses que gostam de filmes sem cérebro, faça bom proveito. Mas, admito, em uma coisa Emmerich acertou: não é Denzel Washington, o héroi americano deste século, quem salva o mundo. Menos mal.



Janaina Pereira

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

O nosso amor a gente inventa


“O filme a seguir é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você Jenny Beckman. Vaca”. É assim que começa (500) Dias com Ela, em exibição a partir de hoje nos cinemas. Este é o primeiro longa de Marc Webb, conhecido diretor de videoclips, que conquistou público e crítica no Sundance, passou pelo Festival do Rio e pela Mostra de SP com grande furor e chega ao circuitão cercado de expectativas. A trama parece ser mais uma comédia romântica, mas só parece. Bem, comédia até que é. Romântica, não necessariamente.

Summer, a mocinha (Zooey Deschanel, sósia da cantora Kate Perry), é descolada e apaixonante. Tom, o mocinho (Joseph Gordon-Levitt, extremamente semelhante ao saudoso Heath Ledger), é um típico nerd que acredita que vai encontrar sua alma gêmea. Ele, claro, se apaixonada por ela, mas a moça não quer compromisso sério porque simplesmente não acredita no amor. Ainda assim, Tom se envolve com Summer e o que vemos na tela são, justamente, os 500 dias em que vive em função da garota que julga ser a mulher dos seus sonhos.

Por muitas vezes, Summer é doce e adorável. Até o expectador se encanta por ela. Mas, como vemos o filme sempre da perspectiva de Tom, percebemos que a moça também consegue ser indiferente e cruel. Algumas das frases mais dolorosas que os apaixonados nunca podem ouvir saem dos lábios carnudos de Summer. A menina não tem dó nem piedade de seu amado.

Claro que, com um diretor que veio do mundo da música, a trilha sonora tinha que ser destaque do longa. O momento em que Tom canta Here comes your man, do Pixies, é hilário. E as intervenções com She´s like the wind, idem. A trilha, aliás, é um personagem tão importante do filme quanto Summer e Tom. A linguagem da produção, de um modo geral, é bastante particular, imprimindo um estilo marcante para o jovem cineasta Webb, que conseguiu aproveitar na telona toda sua experiência visual com os clipes.

O que diferencia (500) Dias com Ela das outras comédias românticas é que, neste caso, não há romance, mas também não vemos o amor não correspondido. Porque Summer gosta de Tom, mas não o suficiente. E isso é o que nos torna cúmplices dele, e faz com que o filme seja criativo e inteligente, apesar de sua visão dolorosa, mas bastante verdadeira, do amor.

Após assistir ao longa, só um pensamento me vem a cabeça: que Tom – e todos aqueles que um dia já foram rejeitados - viva muito bem 500 dias sem ela.


Janaina Pereira

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Adolescentes


Lá fui eu, em plena véspera de feriado, me torturar num calor senegalês para participar da coletiva com os atores de Lua Nova. A saga Crepúsculo é a nova coqueluche das adolescentes, que lotavam a porta do hotel.

Jesus me chicoteia, viu? Affe. Leiam como foi aqui.

A 'aborrecência' é um saco mesmo. Ainda bem que passa.


Janaina Pereira

Sábado, Outubro 31, 2009

Insônia


Que inferno. Estou tensa, cansada, preocupada. E com insônia. Depois de passar uma semana dormindo às 5h da manhã - porque fico trabalhando de madrugada - agora não consigo mais dormir num horário decente.

Estou podre, só o pó. E nada de sono. Meu estômago dói. Os olhos ardem. O corpo pede ajuda. E eu não consigo dormir.

Ah, eu tomei café. Algo que nunca faço. Ferrou. Não vou dormir.



Janaina Pereira

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

This is it


São Paulo, 23 horas, cinema Kinoplex Itaim. Duas salas reservadas para a pré-estreia de This is it, o filme que mostra os ensaios para aquele que seria o último show do Rei do Pop.

O silêncio é total na sala de cinema. Não há a mastigação de pipoca, canudinhos de refrigerante fazendo barulhinhos, suspiros, nada. Parece um minuto de silêncio pelo Rei. Na tela, a la abertura de Star Wars, explica-se que as cenas a seguir são imagens dos bastidores e dos ensaios de Jackson para a turnê de 50 shows em Londres.

Dedicado aos fãs, This is it já mostra, na primeira cena, que foi feito para chorar. A imagem de Michael, magérrimo mas sem o aspecto sombrio tão alardeado, dá arrepios. O Rei está vivo, pelo menos por 112 minutos de projeção.

O filme é uma colcha de retalhos que mistura imagens de Michael ensaiando com depoimentos de sua equipe elogiando o astro. Muitas vezes o que ouvimos são músicas gravadas, já que nos ensaios Michael poupa a voz. Mas quando canta… céus, o que é aquilo? A voz falha mas de repente lá vem ele fazendo dueto com a backing vocal em I just can´t stop loving you … e ele mostra que ainda está em forma.

O show seria um estrondo, isso fica bem claro. Muitos efeitos especiais, banda e dançarinos afiados, tudo da melhor qualidade. Michael é perfeccionista, dedicado, presente. E é curioso dizer que ele, hoje ausente, estava tão presente nos ensaios. É emocionante ver sua dedicação para que as músicas tenham os mesmos arranjos dos discos. Às vezes ele cansa, não acompanha o ritmo de suas canções mas não perde, jamais, o rebolado.

Lá pelas tantas Michael canta I’ll be there e fala que, naquele momento do show, citará o nome dos irmãos e pais. Fala que os ama. Pausa para a família Jackson mostrar que o rebento os adora. Então tá, a gente finge que acredita.

O trio de músicas eternas fica para o fim. E a sequência de Thriller, Beat it e Billie Jean é de pular da cadeira e dançar sem parar. Em Billie Jean, particularmente, ele mostra grande euforia. É minha música preferida dele e o meu momento de emocionação. Ai eu paro e penso: eu nunca vou ver isso ao vivo, ele morreu. Se o filme era para causar essa comoção nos fãs, conseguiu.

Tudo acaba com Man in the mirror, talvez a mais bela letra de MJ – como ele é chamado por sua trupe o tempo todo. A imagem do Rei do Pop, de braços abertos e a frase ‘Love lives forever’ é piegas mas funciona: lágrimas rolam entre o público. Aplausos não. Injusto: Michael merece todo respeito, embora o que fizeram com a imagem dele – velório-show e filme-retalho-show, não seja realmente justo.

This is it não é para qualquer um. É para quem admira o cara que revolucionou a música e se tormou uma das figuras mais importantes do mundo. Eu gostei sim, embora tenha saído do cinema com a tristeza e a frustração de que nunca mais vou vê-lo ao vivo e a cores.

O Rei está morto mas sua música, ainda bem, está mais viva do que nunca.

É isso. Salve, MJ!

* This is it entra em cartaz mundialmente nesta quarta, 28.


Janaina Pereira

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

30 dias sem ele



E eu fiz o possível para não sentir saudades. Não senti. O coração não palpitou, não tive tempo para isso. Não sei se acabou, mas não é mais como era antes.

30 dias sem ele foi o suficiente para eu perceber que é melhor deixar para trás o que não se pode empurrar para a frente.

Odeio homem indeciso.


Janaina Pereira

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Vai começar tudo de novo


Voltei a SP para cobrir a Mostra Internacional de Cinema. Nada como o pique grandioso do Rio, mas algo honesto e digno. Não senti saudades da cidade, só de algumas pessoas.

Mas estou cansada, muito cansada. Vamos ver até quando aguento essa maratona.


Janaina Pereira

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